Deficiência na distribuição da Profilaxia Pós-Exposição (PEP) prejudica combate ao HIV em Alagoas
Medicamento só está disponível em Maceió, Santana do Ipanema e Palmeira dos Índios, segundo o Ministério da Saúde
Moradores do interior de Alagoas enfrentam dificuldades no acesso à Profilaxia Pós-Exposição (PEP), um medicamento fornecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para prevenir a infecção pelo HIV em casos de exposição ao vírus. A distribuição da PEP, que deveria ser amplamente acessível, concentra-se apenas na capital, Maceió, deixando regiões do interior, como Arapiraca, sem cobertura adequada. Na cidade, a PEP está disponível somente no Hospital de Emergência do Agreste, e apenas para vítimas de violência sexual.
Essa limitação tem sido apontada como um grande empecilho na prevenção ao HIV no estado, especialmente em um momento em que Alagoas vive uma explosão de casos de infecção. O alerta foi feito pelo infectologista Fernando Maia, que destacou que o vírus está presente em todas as faixas etárias sexualmente ativas, com predominância entre adolescentes de 15 anos e adultos de até 39 anos. Os números divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) corroboram a gravidade da situação: de janeiro a junho deste ano, 434 novos casos de infecção por HIV foram registrados. Esse número já supera os 363 casos do mesmo período de 2023, quando o ano fechou com um total de 775 pessoas infectadas.
Ainda segundo a Sesau, o ano de 2023 contabilizou 359 casos de Aids e 188 mortes provocadas pela doença, números que refletem a urgência de ampliar o acesso à PEP em todo o estado.
A dificuldade em obter a profilaxia foi vivida por um assistente de vendas de Arapiraca, que preferiu não revelar sua identidade. "Eu sempre uso preservativo, mas há alguns meses ele estourou. No dia seguinte, fui à UBS para iniciar o uso da PEP e me mandaram procurar o CTA de Arapiraca. Lá, me informaram que eu teria que ir ao Hospital Hélvio Auto, em Maceió", relatou. O homem explicou que o incidente ocorreu em um domingo, e o tempo limite de 72 horas para iniciar o uso da medicação o deixou em pânico.
"Trabalho no comércio de Arapiraca. Como eu ia explicar ao meu chefe que precisava ir a Maceió por causa de um medicamento? Não podia expor minha vida pessoal e correr o risco de ser demitido por preconceito. É um absurdo que não haja esse medicamento aqui", lamentou. Ele, felizmente, não foi infectado pelo HIV, mas passou meses fazendo testes para confirmar.
Outro morador da cidade também relatou ao Portal 7Segundos a dificuldade de acesso à PEP. Ele precisou buscar o medicamento em Palmeira dos Índios, a cerca de 45 km de Arapiraca. "Consegui ir, mas e quem está em situação de vulnerabilidade? Como essas pessoas conseguem o remédio se ele só está disponível em Maceió e Palmeira?", questionou.
A PEP é crucial para impedir que o vírus HIV se estabeleça no organismo após uma possível exposição e deve ser iniciada em até 72 horas. Junto com a profilaxia pré-exposição (PrEP), indicada para pessoas que estão em situações de risco constante, como trabalhadores do sexo e casais sorodiscordantes, essas medidas são fundamentais para a prevenção ao HIV/Aids. Ambas são fornecidas pelo SUS, mas a limitação geográfica de acesso à PEP tem comprometido a eficácia dessas estratégias no combate ao vírus no interior de Alagoas.
Diante dessa situação, o Portal 7Segundos entrou em contato com a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) para obter respostas sobre a centralização da distribuição da PEP em Maceió e Palmeira dos Índios, especialmente considerando a relevância de Arapiraca, cidade que atende mais de 1 milhão de pessoas do Agreste, Sertão e Baixo São Francisco. Até o momento, a Sesau não se pronunciou sobre o caso.
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