Greve de policiais penais restringe visitas no Presídio do Agreste e causa revolta em familiares
Esposas de reeducandos planejam bloquear rodovia em protesto
A greve dos policiais penais está gerando revolta das esposas e familiares dos reeducandos do Presídio do Agreste, no município de Girau do Ponciano. Um grupo de mulheres procurou o 7Segundos nesta segunda-feira (25) para denunciar a situação precária que os apenados estão passando desde o começo da mobilização dos servidores.
"Eles estão sem água, sem comida e sem banho. Além disso, estão sendo machucados com balas de borracha e alguns nem recebem atendimento, enquanto nós ficamos sem fazer visita e sem conseguir informações nem com a assistência social. Eles estão sendo oprimidos lá dentro e nós, que somos a voz deles, não podemos ser silenciadas", declarou uma das mulheres.
Outra companheira de apenado conta que, em decorrência da greve, as visitas programadas para o último final de semana foram reduzidas e, por conta disso, muitas mulheres voltaram para casa sem ver ou ter notícia do parente que está cumprindo pena na unidade prisional. Segundo ela, no sábado (23), havia aproximadamente 200 mulheres, muitas delas com crianças, aguardando para fazer visita, mas menos da metade conseguiu entrar no presídio. No domingo (24), menos de 30 visitas foram permitidas.
Elas relatam que, caso as visitas não sejam retomadas e se a alimentação e a água dos presos não for reestabelecida, planejam fazer protestos com bloqueio de via. "Só assim para que a gente seja ouvida. Nossos maridos já estão pagando pelo que fizeram, isso que estão fazendo agora é desumano", ressaltou.
O 7Segundos também teve acesso a uma carta que um reeducando pediu para entregar à esposa dizendo que as visitas devem ser suspensas até pelo menos o primeiro final de semana de dezembro. Ele pede também para avisar a mãe que está bem. Leia a transcrição abaixo

"Oi, amor. Hoje é domingo e estou fazendo essa pipa [carta] para você! Amor, aqui está muito complicado. Está tendo greve [sic] aqui na cadeia, estamos sem água já faz dois dias, nem a alimentação está vindo certo. Nós aqui do setor, que somos a frente da cadeia estamos soltos [fora das celas] para acalmar a população. Moh, eu quero que você saiba que eu estou bem, não fique preocupada porque está correndo tudo bem. Te amo muito, meu tudo. Outra coisa, se a greve não acabar até o dia 7 ou 8 do mês que vem, eu não quero que você venha, porque é muita humilhação e muito agitado para você. Eu não aguento ver você passando por isso. Hoje eu vi as visitas correndo até os fundos do presídio gritando para nós abalar o presídio [fazer rebelião] porque a polícia não deixava elas entrarem aqui. Se estiver passando na TV essas coisas, fale com a minha mãe e diga a ela que estou bem, está certo? Beijos, te amo muito, meu amor, você é tudo na minha vida".
Paralisação
Os policiais penais de Alagoas iniciaram uma paralisação na quinta-feira da semana passada (21) para exigir o aumento do efetivo e a valorização da carreira. De acordo com o sindicato da categoria, o número de policiais penais é insuficiente par dar conta da demanda de serviços, comprometendo a segurança dos envolvidos.
A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado de Ressocialização e Inclusão Social (Seris), mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. Assim que a secretaria se pronunciar sobre o caso, este texto será atualizado.
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