Testemunhas contestam versão apresentada pela polícia após torcedor do ASA ser atingido no rosto
Torcedores questionam o uso da força pela PM em confronto entre torcidas no Estádio Coaracy da Mata Fonseca.
Testemunhas e vítimas estão contestando a versão apresentada pela Polícia Militar após um torcedor do ASA ser atingido por uma bala de borracha durante o confronto entre torcidas organizadas no intervalo da partida contra o CRB, nesta quinta-feira (16), no Estádio Coaracy da Mata Fonseca, em Arapiraca. O jogo fazia parte do Campeonato Alagoano.
O torcedor, que estava próximo à grade comendo no momento do incidente, foi atingido no queixo e socorrido ao Hospital de Emergência do Agreste, onde precisou levar seis pontos, segundo informações extraoficiais. Outra vítima relatou ter desmaiado imediatamente após ser atingida por um disparo semelhante.
De acordo com o relatório do 3º Batalhão da PM (3º BPM), agentes do Pelotão de Operações Especiais (Pelopes) foram acionados para reforçar a segurança do evento e encontraram um confronto entre torcedores organizados. A polícia afirma ter tentado verbalizar e conter a situação, mas foi recebida com agressões e arremessos de objetos. Os agentes alegam que recorreram ao uso de bastões e, posteriormente, a disparos de elastômero (balas de borracha) para dispersar os envolvidos, totalizando cinco disparos.
As versões de testemunhas e vítimas, no entanto, apontam para excessos na ação policial. Uma das pessoas feridas relatou ter perdido a consciência após ser atingida:
"O cara tava comendo, pô, tava na grade comendo. Aí, do nada, ele esbarrou nas minhas costas. Quando eu virei pra ver o que foi, do nada apaguei. Só lembro que acordei tonto, perto do banheiro. Me levaram pro Samu e, no hospital, minha memória voltou ao normal (SIC)."
Outra informação contestada pelos torcedores presentes é de que os disparos ocorreram durante confronto entre as torcidas organizadas. "Logo após o confronto, as organizadas foram separadas em lados opostos. Os disparos ocorreram já durante o segundo tempo, com a bola rolando", explicou uma testemunha.
O caso gerou grande repercussão entre os presentes no estádio e nas redes sociais, com muitos cobrando apuração rigorosa sobre a conduta policial.
O Portal 7Segundos entrou em contato com a assessoria de comunicação do 3º BPM para obter um posicionamento sobre as denúncias, mas não recebeu resposta até o fechamento desta matéria.
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