Truque da moeda no congelador viralizou, mas especialistas dizem que ele é inútil
Apesar de parecer uma técnica efetiva, eles alertam que não há comprovação científica de que o método seja confiável
Uma técnica inusitada para conservar alimentos na geladeira tem viralizado na internet: colocar uma moeda no congelador.
A estratégia, segundo os vídeos, é bastante simples:
- Primeiro, é preciso encher um copo com água até a metade e colocar no congelador.
- Na sequência, a moeda deve ser colocada em cima dessa camada de água congelada.
- Por fim, o copo deve ser recolocado no congelador.
Após um tempo prolongado fora de casa, durante uma viagem, por exemplo, basta checar ao retornar se a moeda continua na superfície do copo. Caso ela tenha afundado completamente ou se encontre no meio do gelo, isso pode indicar uma queda prolongada de energia.
Nesse tipo de situação, a qualidade dos alimentos pode ser comprometida, ou seja, a técnica serviria como alerta para verificar se eles estão próprios para consumo.
Mas esse método é realmente confiável para saber se os alimentos passaram por um processo de descongelamento?
Na reportagem abaixo, você descobre:
- Se a estratégia funciona e se ela é necessária.
- Quais os sinais de que um alimento sofreu um descongelamento e quais cuidados tomar quando isso acontece.
- Dicas para manter os alimentos sempre bem conservados na geladeira.
Técnica de ouro?
Apesar de parecer uma técnica simples e efetiva para checar se aconteceu um processo de descongelamento, os especialistas alertam que não há comprovação científica de que esse método seja confiável.
Rodrigo Petrus, professor do departamento de Engenharia de Alimentos da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP, afirma que a ideia é criativa, mas que desconhece qualquer utilização de uma moeda na ciência do congelamento e da refrigeração.
"Claro que há uma mudança no estado físico da matéria com o aumento da temperatura, que pode causar modificações na estrutura dos alimentos. Mas não dá para a gente se basear na movimentação de uma moeda em um copo para atestar isso", analisa Petrus.
O professor ainda acrescenta que a estratégia se baseia muito no empirismo – ou seja, na observação de um determinado fenômeno para tirar conclusões – e que, portanto, não deve ser utilizada como regra.
Uelinton Pinto, professor de Microbiologia de Alimentos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, até pontua que a estratégia pode ser interessante, mas classifica como desnecessária.
"Dá para saber [se houve descongelamento] olhando para o produto. Alimentos que passaram por descongelamento e recongelamento normalmente apresentam alterações visíveis como formação de cristais de gelo, além de ficarem grudados uns nos outros", comenta o professor.
Perda de qualidade dos alimentos
Os especialistas explicam que o processo de descongelamento e recongelamento pode fazer com que os alimentos percam qualidade e, no limite, se tornem impróprios para consumo.
Um dos primeiros problemas é a chamada perda de qualidade sensorial, isto é, mudanças na aparência, sabor e odor dos alimentos.
Uelinton Pinto analisa que nem sempre as mudanças sensoriais vão fazer com que os alimentos se tornem perigosos para a saúde.
"Vai depender do grau de descongelamento, quanto tempo ele ficou nesta condição. Se passou muito tempo descongelado, vão ter alterações bem perceptíveis e aí o recomendado é descartar o produto", explica o professor.
Dicas para conservar os alimentos
Para manter os alimentos sempre bem conservados e evitar que o descongelamento aconteça, é preciso sempre se atentar ao bom funcionamento do refrigerador e do congelador e também aos produtos armazenados.
Petrus também lembra que o congelamento é uma técnica comprovadamente eficaz na conservação de alimentos, mas que ele não reverte a perda da qualidade de um produto.
"O congelamento não restitui uma qualidade perdida e nem deve ser utilizado para descontaminar um alimento, por exemplo", comenta Petrus.
Os especialistas reuniram algumas dicas para garantir a durabilidade dos alimentos armazenados no congelador e no refrigerador:
Manter a geladeira e o congelador nas temperaturas corretas
Enquanto o freezer deve ficar na temperatura de -18°C, para manter os alimentos congelados, o ideal é que a geladeira não passe dos 4°C.
Também é recomendável ajustar conforme o necessário, seja de acordo com as estações do ano ou pela quantidade de itens armazenados na geladeira.
Evitar colocar alimentos quentes direto para refrigerar
Além de aumentar o consumo energético, a colocação de um alimento ainda quente na geladeira provoca uma variação na temperatura interna da geladeira.
"Um prato quente deve ser resfriado antes de ser colocado na geladeira. A recomendação é que a temperatura caia de 60°C para 10 °C em até duas horas", indica Uelinton Pinto.
Evitar a superlotação e ter organização
Os especialistas indicam que é fundamental evitar que a geladeira fique muito lotada.
Segundo Petrus, encher excessivamente a geladeira aumenta a carga técnica do eletrodoméstico e traz prejuízos à conservação dos alimentos.
Além disso, é importante manter no aparelho e até na despensa os alimentos que vencem primeiro a frente – a regra do “PVPS - primeiro que vence, primeiro que sai” evita desperdício e uso de alimentos vencidos.
Se atentar para o modo de armazenamento dos alimentos
A maneira de armazenar os alimentos dentro da geladeira e do congelador também influencia diretamente na conservação dos produtos.
Os especialistas orientam para que se guardem sobras e carnes cruas em recipientes fechados, para evitar contaminação cruzada.
"Manter os alimentos bem condicionados na geladeira também é importante para evitar a queima pelo frio e o ressecamento principalmente de vegetais", comenta Petrus.
Evitar deixar alimentos muito tempo na geladeira
Principalmente quando se trata de alimentos que já foram cozidos ou que são muito perecíveis, a recomendação é que eles não passem grandes períodos morando na geladeira.
A recomendação é de que sejam consumidos em no máximo três dias. Esse período também vale para as sobras armazenadas na geladeira.
"Você não vai querer comer uma sobra muito velha e nem é necessariamente pela questão da segurança...o alimento perde frescor e pode desenvolver sabor e odor desagradável", alerta Uelinton.
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