Justiça

Acusado de matar Thalita Borges vai a júri popular nesta terça-feira (8), em Arapiraca

Julgamento, marcado para o Fórum de Arapiraca, ocorre dois anos e cinco meses após o crime

Por 7Segundos 07/07/2025 18h06 - Atualizado em 08/07/2025 15h03
Acusado de matar Thalita Borges vai a júri popular nesta terça-feira (8), em Arapiraca
Thalita Borges, 27 anos, foi assassinada a facadas em Arapiraca no dia 3 de fevereiro de 2023 - Foto: Reprodução

O homem acusado pela morte da jovem Thalita Borges de Araújo, 27 anos, vai sentar no banco dos réus na manhã desta terça-feira (8) no Fórum de Arapiraca.

O julgamento do acusado, José de Farias Silva, está marcado para às 9h e será presidido pelo Juiz Alberto de Almeida, titular da 5ª Vara Criminal de Arapiraca.

Thalita foi morta a facadas na noite do dia 3 de fevereiro de 2023, na Estudante Joseane de Lima, bairro Cacimbas, em Arapiraca, crime que chocou a população local e região.

O irmão de Thalita, Thales Borges, que na época do crime esteve em Arapiraca acompanhando parte das investigações, retornou à cidade com sua mãe e um outro irmão, para acompanhar o julgamento.

Ele falou ao 7Segundos sobre a apreensão vivida pela família ao longo desses mais de dois anos de espera.

“São dois anos de angústia, de dor, para toda a família, minha mãe, ela desenvolveu um ciclo depressivo durante esse período e o meu sobrinho, filho da Thalita, atualmente cm 13 anos, por tudo o que ele vive e o que ele ouviu falar, também ficou muito mal e durante esse tempo a gente está tentando sobreviver a essa dor e acontecer esse júri é como um alívio para a família, pois dá a sensação de que a justiça será feita”

Como tudo aconteceu

De acordo comas investigações sobre ocaso, comandadas pelo delegado Everton Gonçalves, Thalita atuava como garota de programa e foi morta após se recusar a ter relações sexuais com o autor do crime, que teria encontrado o perfil da jovem em uma página na internet.

Em um vídeo publicado pela Polícia Civil de Alagoas à época, o delegado afirma que a versão apontada pelo criminoso é de que ele teria agido em legítima defesa, pois a vítima teria tentado golpeá-lo com uma faca após eles discutirem por causa do valor cobrado pelo programa.

No entanto, segundo a polícia, a versão do autor apresentava inconsistências e, segundo as investigações, foi uma mentira.

Segundo o delegado, o autor teria marcado o programa pela rede social, mas ao chegar no local, a jovem não o atendeu. Ele teria ido três vezes na tentativa de encontrá-la, mas a Thalita só o teria atendido no início da noite, o que deixou o autor irritado.

Ainda segundo as investigações, autor e vítima não se conheciam.

“O autor confessou que acessou o site na manhã do crime, visualizou o perfil da vítima e marcou com ela para o fim da tarde, começo da noite”, disse o delegado.

Na época, o foi enquadrado não como feminicídio, mas como homicídio qualificado por motivo fútil com uso de recurso que dificultou a defesa da vítima.

Vítima

Thalita Borges de Araújo era natural de Parnamirim, no Rio Grande do Norte, e havia chegado a poucos dias em Arapiraca, onde tinha alugado uma casa no bairro Cacimbas. O corpo da jovem foi encontrado em frente ao imóvel.

Testemunhas afirmaram que o autor era um homem que havia chegado ao local do crime horas antes do assassinato. Ao fugir, o acusado deixou no local do crime uma mochila, uma farda, um aparelho celular e uma motocicleta Honda de cor preta e placa QLL-9218.

Réu confesso


Quatro dias após o crime, o assassino de Thalita Borges se entregou à Delegacia de Homicídios acompanhado de um advogado. Como já havia ordem de prisão preventiva expedida, ele acabou ficando preso.

Durante o interrogatório, o jovem confessou a autoria do crime.

José de Farias Silva foi denunciado à justiça pelo Ministério Público pelo crime de homicídio contra Thalita Borges de Araújo por motivo fútil e com discriminação à condição da vítima por ser mulher.