Malafaia diz que prisão de Bolsonaro é 'cortina de fumaça' para Banco Master e critica decisão de Moraes
Para líder religioso, convocação de uma vigília não poderia ser usada como indício de risco de fuga do ex-presidente
O pastor Silas Malafaia criticou a prisão preventiva neste sábado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e classificou o argumento apresentado na decisão como “conversa fiada”. O líder religioso afirmou ao GLOBO ser absurdo considerar que Bolsonaro poderia fugir a qualquer momento e disse que a medida não passa de uma “cortina de fumaça” para o escândalo envolvendo o Banco Master.
— A prisão preventiva é uma cortina de fumaça do (ministro) Alexandre de Moraes para desviar a atenção do Banco Master, da roubalheira de R$ 12 bilhões, que tem um monte de gente grande envolvida, de cuja mulher e filho (de Moraes) são advogados. O despacho do motivo da prisão de Bolsonaro nem fala de tornozeleira. É um despacho sobre uma manifestação do (senador) Flávio (Bolsonaro, do PL,RJ), uma vigília de oração. Onde está na Constituição que é proibido convocar manifestação pacífica? — afirmou o pastor, que também classificou a decisão como “covardia”.
O escândalo do Master levou à prisão de Daniel Vorcaro, presidente da instituição, no início desta semana. De acordo com as informações coletadas pela Polícia Federal, o Master teria vendido carteiras de crédito falsas ao BRB. A fraude é estimada em R$ 12,2 bilhões e o banco público de Brasília pagou por créditos pelos quais não receberia retorno.
Em abril deste ano, enquanto negociava venda de parte de sua operação para o BRB, o Banco Master contratou o escritório Barci de Moraes, onde trabalham a mulher e dois filhos de Alexandre de Moraes, citados por Malafaia. Como mostrou O GLOBO, Viviane Barci de Moraes representa o Master em algumas poucas ações. O Master, porém, não revela quais são elas e nem o valor dos honorários.
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso preventivamente na manhã deste sábado. A decisão foi tomada porque Moraes considerou haver risco de fuga e avaliou que não existiam mais condições para se manter a prisão domiciliar.
A medida cautelar não está relacionada à execução da condenação pela tentativa de golpe de Estado. Nesse caso, a decisão ainda não transitou em julgado, e ainda há prazo para apresentação de recursos.
Moraes: convocação 'disfarçada de vigília'
Na decisão, Moraes afirma que a tornozeleira eletrônica usada por Bolsonaro foi violada pouco depois da meia-noite deste sábado. O despacho também cita uma vigília convocada para esta noite pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em frente ao condomínio onde o ex-presidente mora.
“O Centro de Integração de Monitoração Integrada do Distrito Federal comunicou a esta Suprema Corte a ocorrência de violação do equipamento de monitoramento eletrônico do réu Jair Messias Bolsonaro, às 0h08min do dia 22/11/2025.”
“A informação constata a intenção do condenado de romper a tornozeleira eletrônica para garantir êxito em sua fuga, facilitada pela confusão causada pela manifestação convocada por seu filho”, escreveu Moraes.
O ministro também pontuou que, “embora a convocação de manifestantes esteja disfarçada de vigília’”, a conduta remete ao mesmo “modus operandi da organização criminosa liderada pelo referido réu, no sentido da utilização de manifestações populares com o objetivo de conseguir vantagens pessoais”.
“O tumulto causado pela reunião ilícita de apoiadores do réu condenado tem alta possibilidade de colocar em risco a prisão domiciliar imposta e a efetividade das medidas cautelares, facilitando eventual tentativa de fuga”, afirmou.
Moraes determinou ainda que a ordem fosse cumprida “com todo respeito à dignidade” de Bolsonaro e “sem a utilização de algemas e sem qualquer exposição midiática”. Mais tarde, rejeitou o pedido da defesa para converter a prisão em domiciliar “humanitária”.
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