Zé do Rojão: 12 anos sem o ícone que marcou a cultura popular e o rádio do Agreste
Radialista segue como referência na comunicação e na música do Agreste
Doze anos após sua partida, o Agreste alagoano segue sentindo falta do riso fácil, do timbre inconfundível e da alegria constante de José Cícero dos Santos — o eterno Zé do Rojão. Pioneiro do rádio, forrozeiro de alma e personagem marcante da cultura popular, ele continua vivo na memória dos ouvintes de Arapiraca, Palmeira dos Índios e de todo o interior de Alagoas.
Para o filho, Jailson Matias, o maior legado deixado pelo pai é o amor pela cultura e o respeito pelo público.
“O compromisso dele com a cultura, com seus ouvintes e patrocinadores era algo único. Zé do Rojão era um homem de bem — e do bem. A alegria era sua marca registrada”, afirma.
Um ícone que segue inspirando novas gerações
A família mantém viva essa história. A bisneta Ana Clécia lançou o cordel “Zé do Rojão”, obra que resgata a trajetória do artista além do rádio: apresentador de festas populares, cantor, poeta e figura presente em eventos culturais por décadas em 2023.
Um mês antes de falecer, Zé do Rojão recebeu homenagem do 7Segundos pelos seus 37 anos de carreira na Rádio Novo Nordeste. Na ocasião, relembrou histórias desde os tempos em que saía escondido de casa para tocar pandeiro até se tornar uma das vozes mais emblemáticas do Agreste.
Início humilde, talento gigante
Nascido em 27 de fevereiro de 1938, em Taquarana, começou no rádio muito jovem, aos 16 anos, ao participar do programa Vesperal das Senhorinhas, apresentado por Odete Pacheco, em Maceió.
A partir de 1960, seu sotaque carregado e sua identidade nordestina ganharam espaço no microfone da Rádio Clube de Arapiraca. Poucos anos depois, assumiu o comando do programa Alegre Amanhecer, entre 5h e 7h, na antiga Antena Publicidade.
A carreira no rádio caminhou em paralelo com a musical. Nos anos 60 e 70, Zé do Rojão se apresentou por diversas cidades de Alagoas e Sergipe, chegando a participar de programas de TV no Canal 8 — TV Aperipê — e na Rádio Liberdade de Aracaju.
O auge da popularidade
Na década de 1970, durante uma excursão do Grupo Coringa na Bahia, conquistou o público baiano e lançou o primeiro compacto, “Rojão”, que consolidou seu nome artístico.
No dia 21 de agosto de 1976, às 5h da manhã, Zé do Rojão fez a primeira transmissão da Rádio Novo Nordeste AM. Desde então, passou a acompanhar milhares de nordestinos todas as manhãs, tornando-se parte da rotina da população.
Também apresentou programas na Rádio Sampaio, em Palmeira dos Índios, e lançou discos como o LP “Boca de Forno”, em parceria com o sanfoneiro Basto Peroba — obra que se tornaria referência no período junino.
Dividiu palco com ícones da música nordestina, como Genival Lacerda, Trio Nordestino, Mestre Zinho, João do Pife e Luiz Gonzaga.
Radialista, cantor — e também político
Em 1982, foi eleito vereador em Coité do Nóia pelo PDS. Mas, mesmo com a vida pública, jamais se afastou dos microfones, das festas populares ou do público que sempre o acompanhou.
O adeus
Zé do Rojão faleceu no dia 23 de novembro de 2013, aos 75 anos, vítima de insuficiência respiratória. Deixou um legado imenso: cultura, alegria, música, histórias e a essência do rádio raiz que marcou épocas.
Doze anos depois, seu nome segue ecoando — nas ondas do rádio, nos festejos juninos, nas lembranças de quem o ouviu e nos novos trabalhos que preservam sua história.
Zé do Rojão permanece vivo.
E continuará assim, enquanto houver nordestino que valorize sua cultura e seu povo.

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