Cabo Bebeto diz que comando-geral foi ‘levado ao erro’ em prisão de sargentos acusados de motim em Arapiraca
Militares haviam sido acusados pelo comandante incitarem um motim na corporação; Não haviam provas
A prisão administrativa de dois sargentos do 3º Batalhão da Polícia Militar, em Arapiraca, no Agreste de Alagoas, gerou forte repercussão entre integrantes da corporação e no meio político. Após a repercussão do caso, o comando-geral da PM decidiu revogar a detenção dos militares ainda na noite dessa quinta-feira (5).
Inicialmente, os sargentos haviam sido presos administrativamente por determinação do comandante do batalhão de Arapiraca, sob a acusação de que estariam incitando um motim, incentivando a corporação a botar fogo em viaturas, em conversas realizadas em um grupo de mensagens do próprio batalhão. A punição prevista era de 72 horas de detenção.
O caso ganhou visibilidade após o deputado estadual Cabo Bebeto (PL) denunciar a situação durante pronunciamento na Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE). O parlamentar classificou a prisão como injusta e criticou o modelo disciplinar aplicado dentro da corporação.
Em um vídeo divulgado posteriormente, o deputado explicou que, após a repercussão do episódio, foi procurado pelo comando da Polícia Militar, que teria revisado as informações apresentadas inicialmente.
Segundo ele, o comandante-geral da corporação, Paulo Amorim, determinou a revogação da prisão após constatar que os registros das conversas não apontavam qualquer incentivo a crimes, ou seja, não haviam provas.
“Os policiais militares que estavam presos no terceiro batalhão foram colocados em liberdade. O comandante-geral suspendeu a prisão e vamos aguardar apenas a publicação oficial”, afirmou Bebeto no vídeo.
Ainda de acordo com o parlamentar, a informação inicial repassada ao comando-geral teria partido do comandante do 3º Batalhão, Carlos Alberto, que relatou a existência de mensagens sugerindo motim e danos a viaturas.
“O comandante-geral explicou que recebeu a informação de que três policiais estariam estimulando motim em grupos de WhatsApp, sugerindo cortar pneus e tocar fogo em viaturas. Diante de uma denúncia grave como essa, orientou que, havendo provas, fosse feita a prisão”, relatou o deputado.
No entanto, segundo Bebeto, após a análise dos prints das conversas solicitada à corregedoria, não foram encontrados elementos que confirmassem as acusações de incitação a crimes.
“O comando-geral me disse que foi levado ao erro, pois os policiais não estavam incitando crimes, embora estivessem conversando de forma inadequada. Um procedimento investigativo será aberto, mas não havia crime de motim”, acrescentou.
O parlamentar também elogiou a postura do comandante-geral ao revisar a decisão e suspender a prisão dos militares. “Registro a atitude humilde e justa do coronel Paulo Amorim ao reconhecer a situação e determinar a liberdade dos policiais”, declarou.
Apesar do desfecho, o caso provocou insatisfação entre parte da tropa e levantou discussões sobre o sistema disciplinar militar. Durante a manifestação na Assembleia, Bebeto afirmou que o modelo atual ainda permite punições administrativas sem amplo direito de defesa.
A Polícia Militar deverá instaurar um procedimento interno para apurar as circunstâncias do episódio e esclarecer as responsabilidades no caso.
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