"Tenente-coronel agredia filha de Gisele", relatam testemunhas à PM
Conforme depoimentos à corregedoria da Polícia Militar, testemunhas afirmaram que Geraldo Leite Rosa Neto, suspeito pelo feminicídio da soldado Gisele Alves Santana, não gostava da filha da esposa
O andamento das investigações envolvendo o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, suspeito do feminicídio da soldado Gisele Alves Santana, indica que o militar não mantinha uma boa relação com a família da esposa.
Segundo confirmado à CNN Brasil, neste domingo (29), em depoimentos à corregedoria da PM, testemunhas afirmaram que o tenente-coronel não gostava da filha de Gisele, e que, inclusive, chegou a agredir a menina.
O tenente-coronel apontou ainda, em um interrogatório realizado no dia 19 de março, que um dos motivos pelo qual não compareceu ao velório da companheira foi para evitar contato com os pais dela.
Gisele Alves Santana foi encontrada morta, com um tiro na cabeça, dentro do apartamento do casal no Brás, região central de São Paulo, na manhã do dia 18 de fevereiro.
Relembre o caso
A soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta em seu apartamento no Brás, região central de São Paulo, no dia 18 de fevereiro. Inicialmente tratada como suicídio, a ocorrência evoluiu para um inquérito de feminicídio qualificado e fraude processual.
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, marido de Gisele, está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes desde 18 de março. Ele foi indiciado pela Polícia Civil e se tornou réu por feminicídio e fraude processual.
A mudança de rumo na investigação ocorreu após a análise de laudos periciais, depoimentos e evidências extraídas de dispositivos eletrônicos.
Segundo relatório da Polícia Civil e denúncia do MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo), há um conjunto consistente de elementos que afastam completamente a hipótese de suicídio.
Entre os pontos centrais estão contradições do tenente-coronel, indícios de manipulação da cena do crime e sinais claros de violência anterior à morte.
De acordo com a versão apresentada pelo tenente-coronel, ele teria ouvido o tiro poucos instantes após sair do quarto da esposa.
O exame necroscópico confirmou que o disparo foi feito com a arma encostada na cabeça da vítima, em trajetória incompatível com um tiro autoinfligido.
Além disso, peritos encontraram lesões no rosto e no pescoço, incluindo marcas de dedos e arranhões, indicando que Gisele foi imobilizada antes de ser morta. Hematomas na região dos olhos também apontam para agressões anteriores ou simultâneas ao disparo.
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