Saúde

Anvisa anuncia revisão de regras sobre canetas emagrecedoras no Brasil

Serão analisadas desde a entrada dos IFAs até a preparação final do produto

Por 7Segundos com Uol 07/04/2026 09h09 - Atualizado em 07/04/2026 09h09
Anvisa anuncia revisão de regras sobre canetas emagrecedoras no Brasil
Canetas emagrecedoras têm alerta para pancreatite na bula - Foto: Reprodução/TV Globo

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) anunciou que avalia novas medidas para garantir a segurança no uso de canetas emagrecedoras no Brasil. A expectativa é a de que as novas regras de produção sejam divulgadas no próximo dia 15.

O que aconteceu

A importação de insumos acendeu o alerta do órgão. No segundo semestre de 2025, o Brasil importou 130 kg do IFA (Insumo farmacêutico ativo, a substância base das canetas emagrecedoras). Essa quantidade é suficiente para preparar 25 milhões de doses. "[Queremos] identificar se o IFA está sendo importado com as regras de qualidade e segurança que a agência emite e se o produto acabado é registrado na Anvisa. Porque estamos identificando que alguns produtos não são regularizados na Anvisa", explicou o diretor Daniel Pereira.

O pacote inclui revisão de regras e novas fiscalizações. A revisão sobre as normas da Anvisa vai analisar desde a entrada dos IFAs até a preparação final do produto. A agência poderá suspender farmácias que apresentem situação de risco ao consumidor e vai inspecionar empresas que importam insumos para esses medicamentos. O plano ainda prevê acordos de cooperação internacional e a criação de um grupo de trabalho com entidades de saúde.

Além da importação, também será discutida a fiscalização em farmácias de manipulação. Os diretores da Anvisa explicaram que as farmácias deverão se atentar para a produção de canetas emagrecedoras de uma forma mais individualizada.

"O que estamos estabelecendo são mais critérios para que nas farmácias de manipulação só sejam produzidos aqueles medicamentos já individualizados e prescritos por médicos. (...) [Será necessário] deixar mais claro a prescrição e atrelar na fiscalização que todo medicamento que foi manipulado e vendido, foi para um paciente específico e individualizado", explicou Daniel Pereira, diretor da Anvisa.

26% de casos de efeitos adversos graves estão ligados ao uso off-label (fora das indicações na bula médica). Esse dado foi divulgado pelo diretor da Anvisa Thiago Campos. Segundo ele, o principal efeito observado foi a pancreatite aguda. Campos informou que a Anvisa tem estimulado que profissionais da saúde e pacientes relatem à agência episódios de efeitos adversos para aprimorar a segurança dos pacientes.

As inspeções já resultaram em oito interdições em 2026. A Anvisa fiscalizou 11 farmácias de manipulação e importadoras neste ano, encontrando problemas técnicos e falta de controle de qualidade. Desde janeiro, publicou dez ações contra medicamentos sem registro. Nesta semana, a Anvisa anunciou a apreensão de três lotes falsificados do medicamento Mounjaro.

Fim de patente e novos registros

A patente do princípio ativo do Ozempic venceu em março. Com o fim da exclusividade da semaglutida, qualquer novo medicamento precisa provar eficácia e segurança para obter registro.

A Anvisa analisa oito pedidos para novos remédios. Desses processos, sete são de origem sintética e um biológico. Outros nove produtos aguardam o início da avaliação técnica.