Entenda por que Piranhas decretou emergência por estiagem após estragos por chuvas
Município do Alto Sertão alagoano aponta impactos no abastecimento de água e na economia local
Pouco mais de um mês após registrar um volume expressivo de chuvas, o município de Piranhas, no Alto Sertão de Alagoas, voltou a enfrentar dificuldades climáticas e decretou situação de emergência em razão da estiagem. A medida foi oficializada por meio do Decreto nº 12, de 6 de abril de 2026, assinado pelo prefeito Tiago Torres Freitas e publicado no Diário Oficial do Estado.
O cenário chama atenção pelo contraste recente nas condições climáticas da região. Em um curto intervalo de tempo, o município passou de um período de chuvas intensas para um quadro de estiagem com impactos significativos no cotidiano da população.
Em entrevista ao 7Segundos, o superintendente de prevenção em desastres naturais da Semarh/AL, Vinícius Pinho, esclareceu que a situação não configura uma contradição climática. Segundo ele, a região do Baixo São Francisco vinha enfrentando um longo período com chuvas abaixo da média, e o episódio recente registrado em Piranhas foi pontual. “Tratou-se de uma enxurrada, uma chuva muito localizada, que não teve capacidade de reverter o quadro de seca acumulado ao longo dos meses”, afirmou.
O especialista também destacou que as características do solo no Sertão contribuem para o baixo aproveitamento da água. De acordo com ele, o terreno seco e argiloso dificulta a absorção, fazendo com que grande parte da água escoe rapidamente. “Como o solo está muito compacto, a água não infiltra e acaba se perdendo. Esse tipo de chuva ajuda apenas de forma limitada, como no enchimento de pequenos barreiros e cisternas, sem impacto significativo nos reservatórios”, explicou.
Vinícius Pinho acrescentou ainda que, apesar de ter havido uma redução na severidade da seca, que passou de extrema para moderada, o cenário continua crítico e atende aos critérios para decretação de situação de emergência.
Sobre o decreto
De acordo com o documento, a decisão leva em consideração os impactos causados pela falta de chuvas regulares, que têm provocado prejuízos diretos à população e à economia local. Entre os principais problemas apontados estão a escassez de água potável para consumo humano e os danos à produção primária, uma das bases econômicas do município.
O decreto classifica a situação como desastre de estiagem, conforme a Classificação e Codificação Brasileira de Desastres (COBRADE). A partir da publicação, fica autorizada a mobilização de todos os órgãos municipais para atuar em ações emergenciais, incluindo resposta aos efeitos da seca, reabilitação do cenário afetado e medidas de reconstrução.
A situação de emergência terá validade inicial de 180 dias. O novo decreto também revoga uma norma anterior, publicada em março deste ano.
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