Justiça

Acusado de chacina que matou quatro jovens em Arapiraca irá a júri popular em maio

Escultor e empresário responde por múltiplos crimes e será julgado junto a dois réus apontados como cúmplices

Por Erick Balbino/7Segundos 16/04/2026 12h12 - Atualizado em 16/04/2026 12h12
Acusado de chacina que matou quatro jovens em Arapiraca irá a júri popular em maio
Júri popular de chacina em Arapiraca é marcado para maio de 2026 - Foto: Reprodução

O escultor e empresário Regivaldo da Silva Santana será submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri no dia 19 de maio de 2026, em Arapiraca, Agreste de Alagoas. Ele é acusado de envolvimento na morte de quatro jovens em abril de 2024, crime que causou grande repercussão no município.

A sessão ocorrerá na 5ª Vara da Comarca de Arapiraca, onde também serão julgados Wesley Santana Sá e Adriano Santos Lima, apontados como participantes na ocultação dos cadáveres.

Na decisão que levou os acusados ao júri popular, o juiz Alberto de Almeida destacou que a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado de Alagoas reúne indícios suficientes de autoria e materialidade. Regivaldo responderá por homicídio qualificado, ocultação de cadáver, posse irregular de armas e crime ambiental.

As duas últimas acusações estão relacionadas ao material apreendido na residência do acusado, onde foram encontradas diversas armas de fogo, munições e animais mantidos de forma ilegal em cativeiro.

Wesley Santana Sá, sobrinho do principal acusado, também será julgado. De acordo com as investigações, ele teria colaborado na ocultação dos corpos das vítimas. Ele responde ao processo em liberdade.

Já Adriano Santos Lima é apontado como outro envolvido na mesma prática criminosa. Conforme a apuração policial, ele também teria auxiliado no descarte dos corpos, encontrados posteriormente dentro de uma cacimba.

As vítimas foram identificadas como Letícia da Silva Santos, de 20 anos, Lucas da Silva Santos, de 15, Joselene de Souza Santos, de 17, e Erick Juan de Lima Silva, de 20 anos. Eles foram mortos a tiros no dia 13 de abril de 2024.

O desaparecimento foi percebido dias depois, quando familiares passaram a procurar por Letícia e Lucas, que eram irmãos. A preocupação aumentou após Letícia não retornar para buscar a filha pequena, o que motivou o registro de ocorrência.

Durante as buscas, surgiram informações de que os jovens haviam sido vistos na companhia de outras duas pessoas. A partir disso, a polícia intensificou as diligências e recebeu relatos de disparos de arma de fogo em uma área específica, onde os corpos acabaram sendo localizados dentro de uma cacimba.

Confissão e apreensões

Regivaldo, conhecido como “Giba”, foi preso após admitir participação no crime. À época, ele possuía registro como Colecionador, Atirador e Caçador (CAC).

Na residência dele, a polícia apreendeu um arsenal considerado significativo, incluindo armas de grosso calibre e equipamentos de precisão. Também foram encontrados animais silvestres e exóticos mantidos ilegalmente, como uma jibóia e uma píton, além de um exemplar taxidermizado.

Motivação do crime

Segundo a investigação, o crime teria sido motivado por conflitos interpessoais envolvendo ciúmes e desentendimentos entre o acusado e as vítimas.

Lucas, uma das vítimas, prestava serviços ao escultor e teria demonstrado incômodo com a proximidade entre o acusado, sua irmã e sua companheira. No dia do crime, ele foi até a residência de Regivaldo acompanhado de Erick, em busca de informações sobre as duas jovens.

Ainda conforme a denúncia, houve uma discussão no local. Nesse momento, o acusado teria sacado uma arma de fogo, rendido os dois e efetuado os disparos. As outras duas vítimas, que presenciaram a ação, também foram mortas em seguida.

Após o crime, os corpos teriam sido ocultados com a ajuda dos outros dois réus, sendo colocados dentro de uma cacimba, onde foram encontrados dias depois durante as buscas policiais.