Morte em clínica de AL: caso Claúdia Pollyana ganha repercussão nacional
Dentre os crimes investigados estão tortura, cárcere privado e maus-tratos
A Justiça de Alagoas recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual e tornou réus três investigados pela morte de Cláudia Pollyanne Farias de Sant’Anna, conhecida como Poly, ocorrida em agosto do ano passado dentro de uma clínica de reabilitação no estado. O caso ganhou repercussão nacional após a vinda do jornalista investigativo Roberto Cabrini a Alagoas para acompanhar as apurações e expor denúncias relacionadas ao estabelecimento, matéria que foi ao ar na noite deste domingo (26).
Entre os acusados estão Maurício Anchieta de Souza, apontado como proprietário da unidade, a esposa dele, Jéssica da Conceição Vilela, e Soraya Pollyanne dos Santos Farias, tia da vítima. Segundo o Ministério Público, a internação de Cláudia começou de forma voluntária e deveria durar oito meses, mas ela permaneceu no local sem respaldo legal. A acusação sustenta que a tia custeava a permanência e teria contribuído para mantê-la em cárcere privado, sem comunicação às autoridades e sem autorização médica exigida por lei.
Cláudia trabalhava como esteticista e era descrita por amigos como uma mulher alegre, cuidadosa com a aparência e sociável. Familiares e conhecidos relataram que ela buscou tratamento para dependência alcoólica em busca de recomeço. Entretanto, imagens registradas ao longo do período em que esteve internada mostrariam mudanças drásticas em seu estado físico e emocional.
De acordo com a investigação, a vítima sofreu tortura e sucessivos maus-tratos. O laudo do Instituto Médico Legal apontou como causa da morte insuficiência respiratória aguda, além de múltiplas lesões externas compatíveis com episódios repetidos de violência em momentos distintos. Também foram identificados sinais de traumatismo craniano.
Após a morte de Poly e denúncias feitas por amigos, a Polícia Civil aprofundou as investigações e identificou relatos de outros internos que afirmaram ter sido dopados, agredidos e vítimas de abuso sexual. As autoridades também constataram que a clínica funcionava de forma clandestina e que medicamentos eram aplicados sem prescrição adequada.
Com o recebimento da denúncia, os três acusados passam à condição de réus e responderão ao processo na Justiça alagoana.
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