Política

Fuga de suspeito de estupro no Agreste de AL vira briga entre deputado e advogada

Vitinho, como é mais conhecido, segue sendo procurado desde dezembro de 2024

Por Erick Balbino 29/04/2026 07h07 - Atualizado em 29/04/2026 08h08
Fuga de suspeito de estupro no Agreste de AL vira briga entre deputado e advogada
Deputado Antônio Albuquerque rebate acusações e advogada Júlia Nunes reage em caso de foragido suspeito de estupro em Coité do Noia - Foto: Montagem 7Segundos

O caso envolvendo a fuga de Victor Bruno da Silva Santos, de 18 anos, principal suspeito de estuprar, espancar e tentar matar a jovem Maria Daniela, provocou um embate público entre o deputado estadual Antônio Albuquerque e a advogada Júlia Nunes, em Alagoas. O crime ocorreu em dezembro de 2024 no Agreste de Alagoas. 

Durante sessão da Assembleia Legislativa realizada nesta terça-feira (28), Antônio Albuquerque se pronunciou sobre declarações de que um político alagoano estaria protegendo o suspeito, considerado foragido da Justiça desde março de 2025. A repercussão teve início após falas feitas por Júlia Nunes em janeiro deste ano, quando afirmou que Victor Bruno estaria escondido em terras pertencentes a um político.

Segundo a advogada, a informação teria sido repassada por uma “fonte segura” e encaminhada às autoridades competentes. O processo tramita na Justiça, que já decretou a prisão preventiva do jovem, enquanto as forças de segurança mantêm diligências para localizá-lo.

Em discurso no plenário, Antônio Albuquerque afirmou estar incomodado com as insinuações feitas publicamente e criticou o uso das redes sociais no caso. “Isso tem me incomodado profundamente. Sou pai, avô e não admito que uma advogada use rede social para fazer insinuações contra esta Casa”, declarou o parlamentar.

O deputado também criticou o que classificou como uso político do episódio e afirmou que a ausência de nomes nas declarações acaba lançando suspeitas generalizadas sobre integrantes do Legislativo estadual.

“Estão querendo tirar proveito criminoso, praticando um crime contra a honra de cidadãos que podem ter o seu nome ventilado nos bastidores ou nas conversas de pé de ouvido aqui ou ali, porque essa senhora ou essas pessoas que falam que há um deputado protegendo um estuprador, ela não declina nome”, disse Antônio Albuquerque.

Após a fala do deputado, Júlia Nunes utilizou as redes sociais para responder às declarações e repudiar ataques pessoais.

“Deputado, eu respeito o cargo que você ocupa, mas não confunda a autoridade com arrogância. Quando você me chama de advogadinha de quinta, você não atinge só a mim, não. Você atinge tantas outras advogadas ao Judiciário e, principalmente, a inúmeras mulheres que eu acolhi e dei voz através do meu trabalho”, afirmou.

Na gravação, a advogada também disse que não se sentirá intimidada e que continuará atuando em defesa de mulheres vítimas de violência.

“Esse tipo de ataque não me diminui. Ele só mostra a prática antiga de tentativa de intimidar uma mulher que não tem nome, não tem sobrenome, não tem padrinho. Mas deixa eu dizer, esse tempo mudou e essa postura também já deveria ter mudado”, declarou.

Júlia Nunes acrescentou ainda que sua atuação profissional está baseada na legalidade e nos fatos do processo.

“A minha atuação é baseada na lei, nos fatos que estão dentro do caso e jamais será baseada na sua aprovação. Mandato longo não é sinônimo de razão, muito menos licença para desrespeitar”, disse.

Maria Daniela (à esquerda) teve sequelas neurológicas após a agressão e tentativa de feminicídio; Vitinho (à direita) segue foragido.

Entenda o Caso!

O crime ocorreu em dezembro de 2024, após uma confraternização escolar em Coité do Nóia, no Agreste de Alagoas. Segundo as investigações, Maria Daniela Ferreira Alves, então com 19 anos, teria sido dopada, estuprada, espancada e asfixiada. A jovem ficou em coma por cinco dias e passou a enfrentar sequelas neurológicas graves desde então.

Victor Bruno da Silva Santos, apontado como principal suspeito, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça e é considerado foragido. Mesmo sem a captura do acusado, o processo criminal segue em andamento, com audiências de instrução, oitiva de testemunhas e depoimento da vítima.

O caso voltou a ganhar repercussão nacional em abril de 2026, após reportagem exibida em rede nacional com relato da vítima e novos questionamentos sobre a possível participação de outras pessoas no crime.