Quase um ano após morte em abordagem policial, família de alagoano ainda aguarda corpo
Justiça determinou que Estado de São Paulo custeasse envio do corpo de Jeferson Souza para Craíbas, mas decisão segue sem cumprimento
Onze meses após a morte do alagoano Jeferson Souza, de 24 anos, durante uma abordagem policial em São Paulo, a família do jovem ainda enfrenta dificuldades para conseguir realizar o sepultamento. O corpo permanece na capital paulista, apesar de uma decisão judicial ter determinado que o Estado de São Paulo arcasse com os custos do traslado até o município de Craíbas, no Agreste de Alagoas.
Jeferson foi morto no dia 13 de junho de 2024, sob o Viaduto 25 de Março, na região central de São Paulo. Em setembro do mesmo ano, a Justiça decidiu que o governo paulista deveria custear o transporte do corpo para Alagoas. Segundo os familiares, porém, a determinação ainda não foi cumprida.
Em entrevista a uma emissora local, a irmã da vítima, Mikaele Souza, relatou o sofrimento vivido pela família diante da demora para concluir o sepultamento.“Até hoje o corpo do meu irmão não veio. O traslado não foi feito e o Estado de São Paulo não arcou com essa despesa. Mês que vem faz um ano, e isso não é justo. É inadmissível passar todo esse tempo sem poder sepultar meu irmão”, afirmou.
Ela também declarou que a família não possui condições financeiras para custear o transporte do corpo e fez um apelo às autoridades paulistas para que a decisão judicial seja cumprida. “Estamos aqui sem poder fazer nada, porque não temos condições de arcar com essa despesa. Por favor, eu suplico ao Estado de São Paulo que custeie o traslado do meu irmão. Ele era inocente, existem provas. Em nenhum momento ele reagiu. Que a Justiça seja feita”, disse.
O caso ganhou repercussão nacional após a divulgação de imagens registradas pelas câmeras corporais utilizadas pelos policiais militares envolvidos na ocorrência. Os vídeos mostram Jeferson desarmado, encurralado e chorando durante a abordagem realizada por dois agentes da Força Tática.
Na versão apresentada pelos policiais, um tenente e um soldado, o jovem teria tentado tomar a arma de um dos agentes, o que teria motivado os disparos. Entretanto, as gravações divulgadas posteriormente colocaram em dúvida o relato oficial.
As imagens mostram Jeferson com as mãos para trás momentos antes de ser atingido por tiros de fuzil. Os disparos atingiram cabeça, tórax e braço da vítima. Em outro trecho do vídeo, o jovem aparece sendo levado para trás de uma pilastra, onde permanece sentado enquanto é questionado pelos policiais. Em seguida, um dos agentes cobre a lente da câmera corporal. Pouco depois, Jeferson aparece morto.
A família segue aguardando uma solução para conseguir trazer o corpo do jovem de volta para Alagoas e realizar o sepultamento.
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