Justiça

Réus são condenados a mais de 50 anos pela morte de menina de 12 anos no Sertão de AL

Adolescente de 12 anos foi assassinada em janeiro de 2025

Por Erick Balbino/7Segundos 15/05/2026 07h07 - Atualizado em 15/05/2026 07h07
Réus são condenados a mais de 50 anos pela morte de menina de 12 anos no Sertão de AL
Réus são condenados pelo assassinato de Ana Clara Firmino durante júri popular em Maravilha - Foto: Assessoria/MPAL

O Tribunal do Júri realizado nesta quinta-feira (14), no Fórum da Comarca de Maravilha, terminou com a condenação dos três acusados pela morte da adolescente Ana Clara Firmino da Silva, de 12 anos, assassinada no dia 2 de janeiro de 2025 durante as festividades de emancipação política do município.

Lailton Soares da Silva foi condenado a 52 anos, dois meses e 25 dias de prisão. Já José Jonas da Silva Júnior e Edineide Pereira Santos receberam penas de 55 anos e 11 meses de reclusão cada um.

Os réus foram julgados por feminicídio e tentativa de homicídio contra um adolescente que sobreviveu ao ataque. A decisão foi tomada pelo Conselho de Sentença após horas de julgamento marcadas por depoimentos, versões contraditórias e questionamentos do Ministério Público e da defesa.

Durante o interrogatório, Lailton negou participação direta no assassinato e afirmou que estaria dormindo no banco traseiro do carro no momento do crime. Segundo ele, acordou após sentir um impacto no veículo e fugiu do local em seguida.

O juiz Jader de Medeiros Neto relembrou, porém, declarações anteriores dadas pelo acusado na delegacia, nas quais ele teria afirmado que saiu para dar voltas de carro com José Jonas e que teria sido chamado para praticar um assalto.

O magistrado também questionou como o réu conseguiu fugir imediatamente após o crime se, conforme alegou, estava dormindo dentro do automóvel.

Em outro trecho do depoimento, Lailton afirmou ter recebido uma proposta para assumir a culpa pelo assassinato em troca de R$ 7 mil e do carro utilizado na ação. O juiz destacou, contudo, que essa versão já havia sido apresentada antes mesmo da transferência dos acusados para o presídio.

O promotor José Antônio Malta Marques confrontou o acusado sobre as diferentes versões apresentadas ao longo da investigação. Durante o júri, a acusação também relembrou que Lailton teria demonstrado interesse amoroso por Ana Clara em depoimentos anteriores, embora tenha negado conhecer a adolescente durante a sessão.

A assistente de acusação, Júlia Nunes, questionou o réu sobre quem estava dentro do veículo utilizado na ação criminosa. Lailton confirmou que José Jonas e Edineide Pereira Santos estavam no carro e afirmou que ambos desceram do automóvel no momento do ataque.

O caso teve grande repercussão em Alagoas devido à brutalidade do crime e à idade da vítima. Segundo as investigações, Ana Clara foi morta a facadas ao tentar intervir em uma agressão contra um adolescente de 17 anos que estava com ela.

Inicialmente tratado como latrocínio, o crime passou a ser investigado também sob a hipótese de feminicídio motivado por ciúmes. De acordo com a polícia, os suspeitos chegaram ao local em um Gol prata, abordaram as vítimas simulando um assalto e, durante a ação, a adolescente acabou sendo atacada fatalmente.

Imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas ajudaram a identificar os envolvidos e esclarecer a dinâmica do crime. Familiares de Ana Clara acompanharam o julgamento e pediram justiça durante toda a sessão.