Justiça

Delegado aponta “farsa ensaiada” de réus sobre morte de Henry Borel

Durante oitiva, delegado disse que Dr. Jairinho e Monique Medeiros mentiram em depoimento para encobrir agressões. Júri segue no 2ª dia

Por Metrópoles 26/05/2026 16h04
Delegado aponta “farsa ensaiada” de réus sobre morte de Henry Borel
Caso Henry Borel - Foto: Reprodução / Redes Sociais

O delegado Edson Henrique Damasceno, então titular da 16ª DP (Barra da Tijuca) e responsável pela investigação inicial da morte de Henry Borel, de 4 anos, afirmou nesta terça-feira (26) que a versão apresentada por Dr. Jairinho e Monique Medeiros após a morte do menino foi uma “farsa ensaiada” para tentar enganar a polícia sobre as circunstâncias do crime.

A declaração foi dada durante o segundo dia do julgamento do casal, no II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. O ex-padrasto e a mãe da criança respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo e fraude processual.

“No decorrer da investigação, mostramos que tudo era uma farsa ensaiada. As versões apresentadas eram mentirosas, e as lesões sofridas pelo menino eram incompatíveis com qualquer queda de cama. As lesões eram gravíssimas”, ressaltou o delegado em depoimento.

Inconsistência nos depoimentos à polícia

• No júri, Damasceno explicou que o caso chegou inicialmente à delegacia como suspeita de acidente doméstico, mas as investigações apontaram inconsistências nos relatos apresentados por Jairinho e Monique.

• Segundo o delegado, Monique afirmou que retornou às pressas para casa após receber um alerta da babá.

• No entanto, a análise de mensagens mostrou que ela permaneceu em um salão de beleza por horas antes de chegar ao apartamento.

• O policial também afirmou que Jairinho tentou evitar que o corpo da criança fosse encaminhado para perícia.

• De acordo com Damasceno, o ex-vereador chegou a procurar um “alto executivo” do hospital para pedir que o óbito fosse atestado na própria unidade, sem necessidade de envio ao Instituto Médico Legal (IML). O pedido, porém, foi recusado.

• Foi no IML que os peritos identificaram lesões incompatíveis com a versão apresentada pelo casal.

• “Se o corpo não tivesse ido para o IML, a mentira iria seguir. Se não tivessem os prints mostrando as agressões, a mentira iria seguir”, declarou o delegado.

Casal obrigava testemunhas a mentir e Monique sabia das agressões, diz delegado

Durante o depoimento, Damasceno afirmou ainda que testemunhas, entre elas a babá e a avó de Henry, teriam sido orientadas por advogados a mentirem nos primeiros depoimentos prestados à polícia.

O delegado também declarou que Monique tinha conhecimento das agressões sofridas pelo filho antes da morte.

“Ela sabia disso e, mesmo assim, quando o menino morreu por ação contundente, com somente ela, o menino e o Jairo em casa, foi à delegacia dizer que o Jairinho tinha um relacionamento maravilhoso com ele”, afirmou.

Damasceno relatou ainda que Henry havia sido levado anteriormente a uma unidade de saúde em Bangu com lesões consideradas suspeitas. Segundo ele, na ocasião, Monique apresentou a mesma justificativa usada após a morte da criança.

A previsão é DE que o júri se estenda entre sete e 10 dias. Além de Damasceno, a programação desta terça inclui os depoimentos da delegada Ana Carolina Medeiros e do perito Luiz Carlos Prestes. A babá Thayná deve ser ouvida nos próximos dias.

No início da tarde, Sérgio Figueiredo, um dos advogados da defesa de Jairinho, anunciou que deixará o caso. Segundo ele, foi um “absurdo” a manutenção do júri após o infarto do advogado Fabiano Lopes, que também integra a defesa do ex-vereador.

Relembre o caso

Henry Borel morreu na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, na madrugada de 8 de março de 2021, no apartamento onde vivia com a mãe, Monique Medeiros, e o padrasto, o médico e ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho.

À época do crime, os dois alegaram que a criança teria sido encontrada desacordada no imóvel. Henry foi levado ao hospital com lesões corporais graves, mas os profissionais de saúde constataram a morte por hemorragia interna e laceração hepática.

A partir daí, uma investigação complexa foi iniciada para esclarecer o que teria ocorrido no imóvel. Os réus sustentam a versão de que houve um acidente doméstico.

No entanto, o laudo do IML invalidou essa versão, após constatar 23 lesões pelo corpo da criança.