Idoso acolhido em Santana do Ipanema volta a ter contato com familiares após 40 anos
Familiares foram localizados nesta quarta-feira (17)
Edson Almeida Nunes, filho de Guiomar Souza Nunes e Manoel Almeida Nunes, é a verdadeira identidade de “José da Silva”, nome criado para que um idoso sem identificação e sem memória, acolhido há cerca de oito anos por uma Instituição de Longa Permanência (ILP) em Santana do Ipanema, no Sertão de Alagoas, depois de sofrer um acidente, pudesse tirar um RG e, assim, acessar direitos como cidadão. Ele estava afastado do convívio familiar há 40 anos e teve os familiares localizados nesta quarta-feira (17) em Brasília (DF).
A história do idoso começou a mudar nesta quarta, quando o Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) tomou conhecimento da situação e, por meio do Núcleo de Apoio às Vítimas e Desaparecidos (Navid), acionou a rede de instituições que compõem o Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos (Plid) e a Polícia Federal em Alagoas (PF/AL). Em menos de sete horas de trabalho, a verdadeira identificação do homem foi confirmada e seus familiares foram localizados na capital federal.
O caso do idoso “José da Silva” chegou ao conhecimento do MPAL, nesta quarta-feira (17), por meio da delegada Rebecca Cordeiro, titular da Delegacia de Vulneráveis da Capital, que estava em Santana fazendo fiscalização em ILPs. Em seguida, o MPAL, por iniciativa da promotora de Justiça, Marluce Falcão, que coordena o Navid, acionou o PLID e enviou ofício à Superintendência da Polícia Federal em Alagoas solicitando diligências para identificar a verdadeira origem do senhor “José da Silva”.
Poucas horas depois, no final da tarde desta quarta, a PF informou que localizou a identidade correta de “José da Silva”, que na verdade se chama Edson Almeida Nunes, bem como seus familiares, em Brasília.
O idoso havia desaparecido ainda jovem e, desde então, permaneceu afastado do convívio familiar por cerca de 40 anos. Sem documentos confiáveis e sem conseguir fornecer informações precisas sobre seu passado, sua identificação representava um grande desafio.
Diante da relevância humanitária da demanda, o Núcleo de Identificação da Polícia Federal em Alagoas iniciou imediatamente as diligências técnicas necessárias, a pedido do MPAL, promovendo uma atuação integrada com o Núcleo de Identificação da Polícia Federal no Distrito Federal e com o Instituto de Identificação do DF.
Com apoio de policiais federais lotados na Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários da Polícia Federal no Distrito Federal (DELEFAZ/DF), foi possível localizar a família de Edson Almeida Nunes, encerrando décadas de incertezas sobre o paradeiro de seu ente querido.
“O desaparecimento de pessoas é um problema social complexo que desestrutura famílias e gera um profundo ciclo de dor e incerteza. Por isso, exige uma atuação estatal eficiente, integrada e permanente, capaz de mobilizar instituições e garantir que cada caso seja tratado com a urgência, a sensibilidade e o compromisso que a situação exige”, apontou a promotora de Justiça, Marluce Falcão.
“Assim, é essencial uma atuação estatal integrada, permanente e humanizada, garantindo que cada caso de desaparecimento seja tratado com urgência, responsabilidade e compromisso de resultado. O Navid e o PLIDAL, nesse sentido, prestam à sociedade alagoana um serviço de excelência que prima por ser acolhedor e humanizado”, destacou Marluce Falcão. A família de Edson Almeida Nunes virá a Alagoas para buscá-lo.
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