Digitais identificam suspeito que usava documento falso após morte em Arapiraca
Corpo chegou ao instituto portando carteira de identidade com dados legítimos de outra pessoa, mas com a foto alterada
O trabalho de identificação humana realizado pela equipe do Instituto Médico Legal (IML) de Arapiraca foi fundamental para esclarecer a verdadeira identidade de um homem que morreu após ser apontado como suspeito do assassinato de um empresário na cidade. O crime ocorreu na última quarta-feira (17), na avenida Miguel Correia de Amorim, localizada no bairro Baixão, na cidade do Agreste de Alagoas, e deixou morto o empresário empresário Marcos Aparecido Ribeiro "Marquinho", de 46 anos.
O caso chamou a atenção dos peritos porque o corpo chegou ao instituto portando um documento com dados legítimos, mas que havia sido adulterado com a substituição da fotografia. As inconsistências foram percebidas durante os procedimentos de identificação realizados no IML.
De acordo com a Polícia Civil, documento encontrado com o suspeito estava em nome de Fábio Pereira Lima. No entanto, o verdadeiro titular se apresentou posteriormente no Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp) de Batalha e confirmou que seus dados estavam sendo usados indevidamente.
Ao confrontarem as informações do documento com os registros disponíveis nos sistemas oficiais, os peritos constataram indícios de que a identidade apresentada não correspondia ao homem morto. A partir daí, teve início um trabalho de investigação papiloscópica que levou à descoberta da identidade verdadeira do suspeito.
A análise preliminar revelou que o documento possuía dados legítimos e pertencia a uma pessoa real. No entanto, a fotografia havia sido substituída pela imagem do homem morto, indicando o uso de uma identidade falsa. Sem uma identificação confirmada, os profissionais da Polícia Científica iniciaram uma série de diligências para descobrir quem era, de fato, o indivíduo que havia chegado ao instituto.
Impressões digitais descartaram primeira hipótese No decorrer das investigações, um prontuário foi encaminhado ao IML por equipes envolvidas na apuração do caso. As informações presentes no documento indicavam uma possível correspondência com o homem morto. A hipótese, porém, foi descartada após a análise papiloscópica.
"Quando confrontamos as impressões digitais do cadáver com as do prontuário encaminhado para análise, percebemos que não se tratava da mesma pessoa. Foi essa divergência que nos mostrou que precisávamos seguir por outro caminho investigativo", explicou Juarez Lima, papiloscopista do Instituto de Identificação.
Apesar de não confirmar a identidade procurada, o prontuário forneceu pistas de que ajudaram a direcionar as buscas por novos registros capazes de esclarecer o caso. Registro localizado em São Paulo confirmou identidade. O avanço decisivo ocorreu quando informações encontradas em um processo judicial apontaram para uma possível ligação do investigado com o estado de São Paulo.
A partir desses dados, foi solicitado apoio para a localização de registros que pudessem auxiliar na identificação. A busca resultou na obtenção de um prontuário compatível com as características investigadas. A comparação das impressões digitais permitiu confirmar, de forma definitiva, a verdadeira identidade do homem.
"Quando recebemos o prontuário paulista, conseguimos fazer a confrontação necessária e confirmar a identidade verdadeira. A papiloscopia tem justamente essa função: estabelecer a identidade de forma científica, independentemente das informações ou documentos encontrados com a pessoa", afirmou Juarez Lima.
O papel da papiloscopia Segundo os levantamentos realizados durante a investigação, o suspeito utilizava um documento adulterado pertencente a outra pessoa. Embora todos os dados cadastrais fossem legítimos, a fotografia havia sido substituída, dificultando sua identificação após a morte. "O documento era autêntico e os dados pertenciam a uma pessoa real. O problema estava justamente na fotografia substituída. Sem a confirmação pelas impressões digitais, a identificação poderia ter seguido um caminho equivocado", destacou o papiloscopista.
Para a Polícia Científica, o caso demonstra a importância dos exames de identificação humana e do cruzamento de informações entre diferentes bases de dados. O trabalho técnico realizado pela equipe do IML permitiu estabelecer, com segurança científica, a verdadeira identidade do homem e garantir a confiabilidade das informações produzidas durante a investigação.

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