Acusado de matar namorada asfixiada e afogada em São Sebastião é condenado
Réu pegou pena de 25 anos de prisão em regime fechado
O desprezo pelo sexo feminino e a sensação de posse, de superioridade, têm resultado em tragédias e perdas irreversíveis, a exemplo da vida. Em São Sebastião, nessa quinta-feira (20), infelizmente, o Ministério Público de Alagoas (MPAL), precisou atuar em mais um caso de crime contra uma mulher. Milene Cristina Gracindo da Silva, de 37 anos, foi assassinada barbaramente pelo namorado Edivaldo de Lima Santos que, após a boa sustentação feita pelo promotor de Justiça, João de Sá Bonfim Filho, foi condenado a 25 anos de prisão em regime fechado. O conselho de sentença acatou as qualificadoras de feminicídio e meio cruel.
O crime ocorreu em 5 de dezembro de 2024. E, graças às convicções e postura do MPAL diante dos jurados, o próprio réu não conseguiu manter a versão de que era inocente, confessando, ao contrário de todos os depoimentos no decorrer do processo, que havia, de fato, matado Milene Cristina, por meio de asfixia, concluído com afogamento, visto que, após perder os sentidos e desmaiar, a vítima foi jogada no Açude São Bento, local onde ambos participavam de um encontro com amigos. Dias após o assassinato, ele teve a prisão decretada pela Justiça, e à época tinha alegado inocência.
Antes do dia do julgamento, Edivaldo Santos afirmava que a companheira estaria muito embriagada, não sabia nadar e teria resolvido tomar banho no açude e que ele, inclusive, teria a aconselhado a não entrar, mas, Milene não teria atendido. Que teria tentado salvá-la ao notar que estaria se afogando, porém, não havia dado tempo. Tal narrativa foi desfeita diante dos depoimentos de testemunhas, essas relataram que, naquele dia, o casal começou a discutir e os amigos decidido ir embora. Ao olharem para trás perceberam Edivaldo apertando a garganta da vítima e depois avistaram quando a empurrou no açude. Eles retornaram com o intuito de intervir, mas já era tarde, a mulher, desmaiada, já havia afundado.
Porém, o que ocorreu naquele 5 de dezembro não foi o primeiro ato de violência cometido por Edivaldo Santos contra Milene Cristina, testemunhas arroladas alegaram que o réu já tinha histórico de agressão e ameaça de morte contra a vítima, inclusive, em uma das vezes, na frente da sua genitora.
Para o promotor João de Sá Bomfim Filho, essa realidade precisa mudar. Ele espera que as condenações sirvam de lições para homens que ainda mantêm esse pensamento equivocado de que são donos das mulheres e estas subordinadas ao ponto de cumprirem o que regram, sem direito à fala, a um não.
“É muito triste, no mês em que se trabalha a conscientização sobre a violência doméstica e familiar, estarmos num júri de feminicídio, significa que a mulher não teve tempo de se defender, não pediu socorro por medo e alimentou um relacionamento abusivo por tantas coisas que ninguém pode julgá-la, seja a dependência emocional, ou a financeira, por vergonha de ser condenada pela sociedade que costuma promover a revitimização da vítima sem qualquer direito para tal. Porém, quando a condenação dos criminosos acontece, o Ministério Público sente que cumpriu o seu papel, mostra que não houve impunidade e leva alento, minimizando, ao menos a dor dos familiares”, ressaltou João de Sá Bomfim Filho.
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