Macallan "que Lulinha gosta" entrou em pedido de R$ 18 mil para Réveillon
Em áudio, Roberta Luchsinger encomenda o whisky “que o Fábio gosta”, referindo-se a Lulinha; whisky também aparece em celebrações de Vorcaro
O filho do presidente Lula Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, escolheu o whisky escocês Macallan para regar a virada de 2024 para 2025 em uma mansão no Lago Sul, em Brasília. A preferência aparece em um áudio inédito de Roberta Luchsinger, obtido pela coluna, no qual ela encomenda quase R$ 18 mil em vinhos, champanhes e whiskies para o Ano-Novo da dupla.
“E whisky pode ser o Macallan, que o Fábio gosta”, diz Luchsinger ao fornecedor de bebidas de luxo de Brasília.
A bebida preferida de Lulinha é a mesma que entrou no centro das revelações sobre as relações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, com autoridades de Brasília.
Em abril de 2024, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, custeou uma degustação de Macallan em Londres da qual participaram os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
O encontro, promovido pelo Grupo Voto e patrocinado pelo Master, incluiu confraternizações no George Club, um clube privado no bairro de Mayfair.
O próprio Moraes confirmou posteriormente a confraternização ao tratar do episódio em uma sessão reservada do Supremo. Disse que várias autoridades estavam no encontro e que, depois, o grupo foi a um pub e tomou Macallan.
A coluna teve acesso a uma troca de áudios de WhatsApp em que Roberta Luchsinger faz a encomenda para o Réveillon de Lulinha. A mensagem foi enviada em 19 de dezembro de 2024 a um fornecedor. Nela, Luchsinger explica que os dois haviam decidido passar a virada em Brasília porque o presidente Lula também ficaria na capital. Não está claro, na conversa, se o presidente da República participou da comemoração na mansão.
“Deixa eu te falar, precisava ver com você vinhos, já ver bebidas, que a gente vai passar o Ano-Novo aqui em Brasília, vamos ficar aqui. Porque o pai do Fábio, meu sócio, o presidente Lula, vai estar em Brasília. E aí nós vamos ficar por aqui mesmo. Então, eu queria sua sugestão de vinho branco, vinho tinto. Champagne pode ser Perrier-Jouët, Taittinger”, afirma Luchsinger.
Fundada em 1824 na região de Speyside, na Escócia, a The Macallan é uma das destilarias de single malt mais badaladas do mundo, reconhecida por envelhecer o whisky em barris de carvalho antes usados para guardar vinho jerez (“sherry oak”, em inglês). O uso dessa madeira na maturação do whisky dá certo charme à bebida.
A relação de autoridades com o Macallan voltou ao noticiário recentemente. Em mensagens reveladas pelo relator do Caso Master no STF, André Mendonça, Gonet aparece comemorando a possibilidade de encontrar novamente a bebida em outro evento de Vorcaro em Londres.
“Oba!!!! Tomara que tenha charuto e macalan”, teria dito Gonet em mensagem encaminhada pelo advogado Ciro Soares a Vorcaro. “Agora vai ter que ter plantação de charuto e barril de macalan”, respondeu o ex-banqueiro.
No Réveillon de Lulinha, Luchsinger encomendou uma garrafa de Macallan 15 anos, por R$ 1.699; duas garrafas de Macallan 12 anos Sherry Oak, a R$ 899 cada; e outras duas de Macallan Double Cask 12 anos, a R$ 869 cada.
O pedido incluía ainda 12 garrafas de champanhe Taittinger Brut Réserve, além de vinhos e outras bebidas.
A conta chegou a R$ 17.925. O valor foi pago por Pix pela RL Consultoria, empresa de Roberta Luchsinger, diretamente ao fornecedor.
Atualmente, fatos relacionados a Lulinha são investigados em três inquéritos no STF. O principal deles, com as investigações mais avançadas, diz respeito às suspeitas de que ele, Roberta Luchsinger e Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, teriam praticado tráfico de influência no Ministério da Saúde (MS) para vender fármacos derivados de maconha, como o CBD.
Além da relação com Roberta, Lulinha atuou em conjunto com o Careca do INSS na empresa de maconha medicinal dele, a Cannabis World. Como mostrou a coluna, os dois viajaram juntos para Portugal e Espanha, onde Lulinha vive desde meados do ano passado.
Outro inquérito diz respeito a pagamentos que teriam sido feitos por Roberta Luchsinger a pessoas do entorno do presidente Lula, como o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Uma terceira apuração gira em torno de possível tráfico de influência na Dataprev, empresa pública de processamento de dados.
Além do Ano-Novo regado a Macallan, Roberta Luchsinger pagava outros gastos suntuosos do filho do presidente da República, como uma viagem para a Finlândia, com as respectivas famílias, para ver a aurora boreal. A viagem incluiu estadias num hotel exclusivo no meio da tundra, com diárias de R$ 37 mil por pessoa.
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