Presidente do Paraguai apresenta renúncia em meio a crise em banco no país
Vice Pedro Alliana deve assumir governo; imprensa paraguaia afirma que renúncia precisa ser confirmada pelo Congresso, que já havia aberto processo de impeachment
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) que vai renunciar ao cargo. Isso acontece em meio ao fechamento de um banco que afetou milhões de pessoas e gerou protestos.
O Congresso do país ainda analisará se aceita ou não a renúncia em uma sessão marcada para as 17h, no horário local e de Brasília.
De toda forma, a Câmara de Deputados aprovou, cerca de uma hora após o anúncio, o impeachment do presidente por unanimidade -- foram 78 votos a favor. Parlamentares da oposição defenderam esse processo para que o chefe de Estado não tenha foro privilegiado.
O Senado ainda precisa votar o processo de impeachment de Peña.
O presidente Santiago Peña informou a decisão de deixar o poder em um vídeo nas redes sociais, no qual destacou que este é um dos momentos "mais difíceis da minha vida".
"Tomei a decisão de apresentar a minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas", afirmou.
"Faço-o com absoluto respeito à nossa Constituição Nacional e aos mecanismos institucionais e democráticos que estabelecemos para nós mesmos como Nação. Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai", adicionou.
O presidente paraguaio também pediu desculpas à população e destacou que seu "maior desejo" é que haja a devolução dos recursos aos clientes do banco e que o Fundo de Garantia de Depósitos cumpra a sua finalidade.
"Hoje devemos demonstrar, mais uma vez, que a democracia é respeitada, que as instituições são preservadas e que o Paraguai está acima das nossas diferenças", comentou.
Base governista apoiou impeachment contra Peña
O partido de Santiago Peña havia anunciado nesta quinta que apoiava a remoção do presidente, justificando que a medida poderia restaurar a ordem institucional no país.
Horacio Cartes, presidente do Partido Colorado, publicou uma carta nas redes sociais com a declaração, destacando que a legenda não irá tolerar "o roubo de fundos públicos, privados e de pensões".
Câmara rejeita impeachment de vice-presidente
Também nesta quinta-feira, a Câmara de Deputados do Paraguai rejeitou o impeachment de Pedro Alliana, vice-presidente do país.
Foram 48 votos pela rejeição e 30 a favor. Agora, ele está posicionado para assumir o governo paraguaio.
Aos 52 anos, Alliana acumula passagens pelos poderes Executivo e Legislativo.
Foi governador entre 2008 e 2012 e atuou na Câmara dos Deputados entre 2013 e 2023.
Nesse período, assumiu a presidência da Casa em diferentes momentos, além de liderar o Partido Colorado, a principal força política do país, entre 2015 e 2023.
Na cadeira de vice, Alliana tem acumulado funções relacionadas à política externa do Paraguai.
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