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Camarada Biu? jornalista alagoano revela período em que ex-senador foi ‘fichado’ pela ditadura militar

Relatório do SNI da ditadura lista o ex-senador como um intenso militante contra a repressão nos anos 60

15/01/2025 17h05
Camarada Biu? jornalista alagoano revela período em que ex-senador foi ‘fichado’ pela ditadura militar

Mais uma pitoresca história do ex-senador Benedito de Lira, sepultado na capital alagoana nesta quarta-feira (15) foi revelada pelo jornalista Edberto Ticcianelli, em seu portal Contexto Alagoas.

Ticcianelli, que é militante e antigo dirigente do PCdoB em Alagoas, revelou que Biu de Lira, embora tenha feito política durante toda a sua trajetória no campo da direita conservadora, ainda assim foi ‘fichado’ pelo regime militar - ou seja, teve sua vida espionada pelos órgãos de repressão da ditadura.

Estudioso do tema, o jornalista alagoano disse que, nos arquivos da ditadura aos quais teve acesso, estava um em que as atividades supostamente “subversivas” de Biu foram listadas pelos militares, e que ele só não foi indiciado em 1964 por interferência do então arcebispo de Maceió, Dom Adelmo Machado.

No documento do Serviço Nacional de Informações (SNI), datado de 14 de novembro de 1984 com carimbo ‘confidencial’, consta no nome do ex-senador as seguintes atividades:

— Em 1960/63, como aluno do Aprendizado Agrícola de Satuba/AL, foi sempre o cabeça de todos os movimentos esquerdistas irrompidos naquela escola, a ponto de provocar o seu fechamento. Trabalhou no jornal comunista VOZ do POVO, extinto em 1964.

— Em 1964, foi preso pelo DOPS/AL, não sendo indiciado em IPM (inquérito policial militar) graças a interferência do Arcebispo de Maceió, Dom Adelmo Machado.

— Como estudante de Direito, desenvolveu intensa campanha esquerdista, juntamente com outros subversivos, anteriormente à Revolução de 1964.

Ticcianelli afirma que encontrou com Biu de Lira e contou-lhe sobre a descoberta, prometendo que não revelaria os fatos enquanto o ex-senador ainda estivesse na atividade política. Mesmo com a anuência de Biu, somente agora, em forma de homenagem, o jornalista tornou públicas as informações.

Mesmo em tempos de ‘liberdade’ vigiada, Biu foi um defensor da democracia - mesmo que apenas em um recorte dela. Já mais que suficiente para validar seu caráter.

Sobre o blog

Governo ou Senado? Após deixar a Prefeitura, JHC terá dois caminhos decisivos para 2026

Com o avanço das articulações políticas para 2026, o cenário envolvendo o prefeito de Maceió, JHC, começa a ganhar contornos mais definidos — ainda que cercados de incertezas nos bastidores.

Após deixar o comando da capital alagoana, JHC terá, na prática, dois caminhos principais: disputar o Governo de Alagoas ou entrar na corrida por uma vaga no Senado Federal.

Nos bastidores, interlocutores avaliam que o prefeito vem trabalhando com ambas as possibilidades de forma estratégica. A eventual candidatura ao Governo surge como um movimento natural, considerando sua projeção política e capital eleitoral. Por outro lado, a disputa pelo Senado aparece como uma alternativa considerada mais segura e com menor desgaste político.

A leitura entre lideranças é de que a definição final dependerá diretamente do cenário político estadual, especialmente da composição de alianças e do posicionamento de grupos tradicionais.

A filiação ao PSDB, acompanhada pela primeira-dama Marina Candia e pela senadora Eudócia Caldas, reforça que o grupo já está inserido em um projeto maior, mirando protagonismo nas eleições.

Apesar disso, a ausência de uma definição clara sobre qual cargo será disputado tem alimentado dúvidas entre aliados e lideranças políticas. A avaliação é que o tempo de indefinição pode impactar diretamente na construção de confiança e na consolidação de apoios.

Nos bastidores, a percepção é objetiva: JHC joga em duas frentes, mas, ao deixar a prefeitura, precisará fazer uma escolha definitiva e essa decisão tende a redesenhar completamente o tabuleiro político de Alagoas para 2026.

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