'Na Globo, a regra era não falar de política', diz Gianecchini
O ator contou em entrevista à Veja que passou a se posicionar politicamente durante a pandemia de covid-1
Reynaldo Gianecchini encerrou o contrato com a Rede Globo em julho do ano passado. Pronto para estrelar a segunda temporada de "Bom Dia, Verônica" (Netflix), o ator contou em entrevista à Veja que passou a se posicionar politicamente durante a pandemia de covid-19.
"Sou privilegiado, não tive problemas financeiros. Percebi que eu era desconectado da sociedade. Comecei a doar o meu salário. Eu fiquei mais empático e aprendi sobre política e questões sociais, como o racismo", contou.
Na Globo, a regra era não falar de política. E eu entendo. Mas chegou uma hora em que precisei me posicionar. O governo Bolsonaro é inegavelmente uma tragédia. Áreas fundamentais para o crescimento de uma nação estão jogadas às traças. Sou filho de professores, uma profissão que amo, e me dói ver como a educação do país está. Isso sem falar do setor cultural. O streaming salvou o cinema brasileiro do Bolsonaro. Reynaldo Gianecchini
Gianecchini disse rever os trabalhos do passado, como "Laços de Família" (2000) com olhar mais crítico.
"Fiz Da Cor do Pecado, hoje um título inadmissível. Parece que é chato, mas, para mudar, precisamos ser chatos. Se 60% da população é negra, então todos os elencos deveriam ter no mínimo 60% de negros. Não trabalho em projetos que não tenham elenco diverso", revelou.
Ele lembra a estreia como o galã Edu como "o ano mais difícil de sua vida".
Sou uma pessoa reservada, e de repente todos queriam saber sobre mim. Comecei a me fechar. Entrei numa profissão complexa sem estar preparado. Eu me cobrava demais. Se não fosse a Marília, eu teria pirado.
Desde àquela época, o ator lidava com muitos boatos sobre sua sexualidade. Ele disse que ria das especulações e que tinha um casamento "caretinha" com Marília Gabriela.
"É engraçado que especulavam sobre mim e eu era casado, caretinha. Fui muito feliz com a Marília — muito feliz, aliás, sexualmente. Quando nos separamos, eu pensei: já disseram tanta coisa sobre mim que eu tenho crédito para experimentar tudo o que falaram que eu fiz, mas ainda não tinha feito".
Em 2019, Gianecchini se assumiu bissexual e disse que se relacionar com ambos os sexos "lhe pareceu natural".
Eu sou um cara curioso que vive intensamente. Chegou um momento em que eu pensei: se eu falar sobre isso, alguém vai achar ruim? Não ligo. Minha empresa vai achar ruim? Não me preocupo. Ninguém vai me contratar para ser galã? Que bom. Ser eu mesmo era mais importante.Reynaldo Gianecchini encerrou o contrato com a Rede Globo em julho do ano passado. Pronto para estrelar a segunda temporada de "Bom Dia, Verônica" (Netflix), o ator contou em entrevista à Veja que passou a se posicionar politicamente durante a pandemia de covid-19.
"Sou privilegiado, não tive problemas financeiros. Percebi que eu era desconectado da sociedade. Comecei a doar o meu salário. Eu fiquei mais empático e aprendi sobre política e questões sociais, como o racismo", contou.
Na Globo, a regra era não falar de política. E eu entendo. Mas chegou uma hora em que precisei me posicionar. O governo Bolsonaro é inegavelmente uma tragédia. Áreas fundamentais para o crescimento de uma nação estão jogadas às traças. Sou filho de professores, uma profissão que amo, e me dói ver como a educação do país está. Isso sem falar do setor cultural. O streaming salvou o cinema brasileiro do Bolsonaro. Reynaldo Gianecchini
Gianecchini disse rever os trabalhos do passado, como "Laços de Família" (2000) com olhar mais crítico.
"Fiz Da Cor do Pecado, hoje um título inadmissível. Parece que é chato, mas, para mudar, precisamos ser chatos. Se 60% da população é negra, então todos os elencos deveriam ter no mínimo 60% de negros. Não trabalho em projetos que não tenham elenco diverso", revelou.
Ele lembra a estreia como o galã Edu como "o ano mais difícil de sua vida".
Sou uma pessoa reservada, e de repente todos queriam saber sobre mim. Comecei a me fechar. Entrei numa profissão complexa sem estar preparado. Eu me cobrava demais. Se não fosse a Marília, eu teria pirado.
Desde àquela época, o ator lidava com muitos boatos sobre sua sexualidade. Ele disse que ria das especulações e que tinha um casamento "caretinha" com Marília Gabriela.
"É engraçado que especulavam sobre mim e eu era casado, caretinha. Fui muito feliz com a Marília — muito feliz, aliás, sexualmente. Quando nos separamos, eu pensei: já disseram tanta coisa sobre mim que eu tenho crédito para experimentar tudo o que falaram que eu fiz, mas ainda não tinha feito".
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