Embaixadores em Hollywood: o que Trump espera de Mel Gibson e Stallone
Os atores Jon Voight, Mel Gibson e Sylvester Stallone foram escolhidos como Embaixadores Especiais em Hollywood do governo de Donald Trump
O agora 47º presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, incluiu entre suas promessas de campanha o objetivo de promover um “renascimento” de Hollywood nos próximos quatro anos. Após reassumir o cargo mais alto do governo americano, ele afirmou que uma de suas metas é trazer de volta a chamada “Era de Ouro de Hollywood”.
Embora não tenha detalhado seus planos ou propostas para alcançar esse objetivo, Trump deixou claro que pretende acompanhar de perto a indústria, que classificou como um “lugar muito importante, mas muito problemático”. Para a missão, nomeou três atores renomados como “embaixadores especiais”: Jon Voight, Mel Gibson e Sylvester Stallone.
Os três artistas foram alguns dos poucos em Hollywood a declarar apoio a Trump durante a campanha eleitoral. Agora, ocupam cargos em seu segundo mandato, que sucede sua primeira gestão (2017-2021) e se estenderá de 2025 a 2028.
Desafios
Apoiadores declarados de Trump durante a campanha, Jon Voight, Mel Gibson e Sylvester Stallone foram escolhidos para serem os “olhos e ouvidos” de Trump em Hollywood. O presidente afirmou que fará “o que eles sugerirem” para trazer Hollywood, “de volta, maior, melhor e mais forte do que nunca antes”.
A nomeação dos atores tem um peso simbólico e reflete a intenção de Trump de restaurar o protagonismo da indústria americana. Nos últimos cinco anos, a produção da indústria cinematográfica caiu 27%.
Além disso, o setor ainda não conseguiu se recuperar da crise iniciada na pandemia, agravada pela greve dos atores, que durou 118 dias. Agora, enfrenta um novo desafio: os incêndios que assolam a região, cuja extensão ainda não foi totalmente calculada, mas já impacta o andamento produções e o calendário de premiações.
Para Donald Trump, no entanto, os desafios de Hollywood vão além das crises recentes e passa pelo incentivo a produção local, visando reduzir a dependência de outros mercados. Na visão do atual presidente, a indústria “perdeu parte do seu negócio nos últimos quatro anos às mãos de países estrangeiros”.
Silêncio dos críticos
A situação de Hollywood também preocupa profissionais do setor. Não à toa, ao contrário do que ocorreu durante a campanha, quando a maioria apoiou Kamala Harris, o meio artístico se silenciou após a vitória de Trump. De acordo com a imprensa norte-americana, esse silêncio tem uma explicação: o temor de represálias em um momento delicado para Hollywood.
Segundo o portal Deadline, mesmo com dados expressivos, os números de bilheteria do cinema vem caindo a cada ano. Apesar de sucessos como Divertida Mente 2 e Deadpool e Wolverine, em 2024, a bilheteria global chegou a uma estimativa de 21,2 bilhões de dólares, segundo a Gower Street Analytics. O número é 10% menor em relação a 2023, sem incluir o mercado chinês na equação.
Para analistas, o cenário é ainda mais preocupante quando acrescentados os dados da China, com a bilheteria estimada de 30 bilhões de dólares, cerca de 11,5% abaixo do ano anterior .
Aceno de Hollywood ao governo
Além dos desafios financeiros, Hollywood enfrenta batalhas complexas que exigem o envolvimento do governo. Um dos temas mais urgentes é a ascensão da inteligência artificial, que esteve no centro da greve dos roteiristas em 2023 e deve ser pauta no Congresso norte-americano nos próximos anos.
A indústria, de maneira geral, tem se posicionado contra o uso indiscriminado da IA, seja na criação de roteiros, na aplicação de efeitos especiais ou mesmo na pós-produção de filmes. No entanto, diante das incertezas do setor e da necessidade de apoio político para regular a tecnologia, Hollywood passou a adotar uma postura mais cautelosa em relação ao governo.
Esse movimento resultou em uma redução das críticas abertas a Trump e até em um certo alinhamento estratégico com o partido Republicano, que agora tem maioria no Congresso. Assim, a indústria busca equilibrar suas preocupações com a IA e sua relação com um governo que, apesar das divergências ideológicas, pode influenciar diretamente seu futuro.
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