Tony Bellotto sobre câncer: 'Eu tô bem, mas não posso dizer que estou livre da doença'
Músico, escritor e guitarrista do Titãs fala sobre estado de saúde, transformação pessoal, sequelas do tratamento, além de defender discurso não combativo: 'Não estou lutando'
Tony Bellotto, guitarrista dos Titãs, voltou a falar sobre o câncer de pâncreas na última segunda-feira (6). Diagnosticado há cerca de um ano, o músico e escritor revelou que prefere não usar o discurso combativo tradicionalmente associado a pacientes oncológicos. "Eu, como pacifista, não estou lutando contra o câncer. Estou tentando negociar uma convivência pacífica". As recentes declarações foram feitas ao Roda Viva, da TV Cultura.
Caracterizando como uma "experiência transformadora", o músico conta que o câncer trouxe à tona questões existenciais. "A doença te coloca a presença da finitude muito objetiva, muito clara na tua frente. Isso me transformou", afirmou. Mas até mesmo isso, o músico tentou usar ao seu favor: "Você ganha uma coragem para enfrentar essa doença, no meu caso com muita positividade. Eu tento tirar todo o drama dessa doença".
Na luta contra o estigma, Bellotto fala sobre sua própria perspectiva pacifista pela convivência com a doença: "Sempre que você vê alguém que morre de câncer, se fala assim: lutava contra o câncer. Eu, como pacifista, não estou lutando contra o câncer. Estou tentando negociar uma convivência pacífica. E estou achando interessante essa experiência".
"Já que me aconteceu, eu tenho que viver ela da maneira mais intensa possível. E estou conseguindo sobreviver com uma certa positividade ou otimismo".
O guitarrista também falou sobre a decisão de tornar pública sua condição. "Essa ideia de tirar o estigma da doença me pareceu muito positiva logo que eu tomei conhecimento que eu era um doente", declarou, complementando: "Essa questão de poder levar tua vida, fazer as coisas que está fazendo sem ficar carregando aquele peso de: 'Estou doente', me pareceu muito positivo. Então foi isso que me motivou".
Sequelas físicas e mudança de peso
Questionado sobre o estado atual de saúde, o músico foi direto: "Eu tô bem. Estou me sentindo ótimo hoje". Mas fez questão de ponderar a gravidade do quadro. "O câncer de pâncreas é um câncer muito grave. Então não posso dizer que eu estou livre da doença", ressaltou.
Bellotto detalhou ainda sequelas deixadas pelos tratamentos, não apenas pela doença em si. "A quimioterapia deixa algumas sequelas. A própria cirurgia me deixou com alguns distúrbios no sistema digestivo. Emagreci muito, fica difícil recuperar o peso que eu tinha", relatou.
Mesmo diante das dificuldades, o guitarrista disse encarar o momento com bom humor. "Todas essas dificuldades estou enfrentando com bom-humor, sem dramatizar. A vida é assim mesmo, somos frágeis, e temos que enfrentar cada dia do jeito que dá. Mas tô bem, tô ótimo", finalizou.
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