Facebook vê ameaça para negócio no futuro com bloqueio do WhatsApp
Representantes do Facebook, dono do WhatsApp, desembarcaram em peso em Brasília na última segunda-feira (02) para convencer deputados no Congresso a barrar um projeto que quer permitir o bloqueio de aplicativos que descumpram decisões judiciais.
O projeto de lei será apresentado caso o relatório final da CPI dos Crimes Cibernéticos seja aprovado sem mudanças. Depois de muita pressão, a votação foi suspensa nesta terça-feira (3).
Adquirido pelo Facebook, em fevereiro de 2014, o WhatsApp não dá lucro e tampouco atrai publicidade. Suspensões temporárias hoje não chegam a ameaçar o negócio.
Contudo, existe uma preocupação de que o "ambiente hostil" criado pela Justiça e pela CPI comprometam o negócio no longo prazo.
Quando decidiu desembolsar em 2014 cerca de US$ 22 bilhões pelo WhatsApp, Mark Zuckerger, dono do Facebook, afirmou que priorizaria o "crescimento, em vez da monetização" do serviço.
O objetivo era transformá-lo em uma ferramenta de "primeira necessidade", a maior plataforma de comunicação global do mundo. Desde a aquisição, o serviço mais que dobrou em usuários e hoje conta com quase 1 bilhão.
A Folha apurou que os próximos passos preveem a integração do WhatsApp com canais de comunicação de empresas, como bancos e seguradoras, e o ingresso na publicidade –o que faria a receita explodir gerando lucro.
Para a empresa, o potencial é enorme. Mais de 70% dos usuários ficam conectados diariamente. Seria uma vitrine em tempo integral.
Hoje, o WhatsApp já garantiu a sensação de "necessidade". O deputado Raul Jungmann (PPS-PE), por exemplo, foi ao Supremo Tribunal Federal pedir o desbloqueio por considerar violação ao "direito da livre comunicação".
Na CPI, muitos deputados também passaram a defender o WhatsApp. "Estão banalizando o bloqueio de aplicativos", disse o deputado João Arruda (PMDB-PR).
Já Esperidião Amin (PP-SC), relator da CPI, considera que o Marco Civil da Internet permite o bloqueio. "Não somos nós que estamos permitindo o bloqueio", disse.
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