Primeiro júri por videoconferência de AL é realizado nesta sexta-feira (6)
A Comarca de Porto Calvo, na região Norte de Alagoas, realizou, nesta sexta-feira (6), o primeiro júri popular por videoconferência, em Alagoas, com um réu que encontra-se preso no estado de São Paulo. Conduzido pelo magistrado José Eduardo Nobre, o julgamento marca uma nova era tecnológica na Justiça alagoana. O preso foi levado para uma penitenciária feminina, onde o sistema de videoconferência pode ser instalado. O magistrado José Eduardo explicou os desafios enfrentados para concretizar o julgamento.
“É uma experiência inovadora e até um pouco ousada. Foi um trabalho árduo para que pudéssemos quebrar todas as barreiras tecnológicas existentes para a realização da sessão, tivemos de deprecar a Comarca de Pirajuí de São Paulo com o auxílio da Justiça local para que o preso fosse transferido para um local onde houvesse a videoconferência. Tivemos que conectar o setor de Tecnologia do nosso Tribunal com a Tecnologia de São Paulo para que fossem quebradas todas as barreiras tecnológicas para conectar os sistemas e trazer essa videoconferência para o Tribunal do Júri. Eu nunca tinha feito algo dessa natureza.”
Instituído no dia 02 de março deste ano, o sistema de videoconferência visa garantir celeridade e segurança no julgamento de processos criminais, dispensando a presença física do réu na unidade judiciária, seja para realização de oitivas ou julgamentos. Antes da implantação, muitas pautas eram suspensas devido à ausência do réu por problemas no transporte.
Menos remarcação de audiências com uso da tecnologia
“A vantagem é total, com o sistema de videoconferência já reduzimos a praticamente zero o número de remarcação de audiências em razão do não comparecimento dos réus, o que era um problema constante aqui em nosso Estado pela ausência de efetivo para a escolta. E nesse caso específico, como o preso está em outro estado da federação, em São Paulo havia um problema muito grande para recambiá-lo para o Estado de Alagoas para acompanhar todo o desenrolar do processo.
Com essa tecnologia, nós conseguimos trazer a presença do acusado, ainda que não fisicamente, para acompanhar o julgamento perante o Tribunal do Júri”, disse o magistrado José Eduardo. O promotor de Justiça Adriano Jorge Correia também avaliou como positiva a utilização da tecnologia para dar mais celeridade aos julgamentos.
“Não é a primeira vez que trabalhamos com a videoconferência, uma vez que já vinhamos fazendo esse tipo de audiência em processos aqui do estado, mas o julgamento pelo Tribunal do Júri essa é a primeira vez que nós fazemos. E é uma experiência boa porque evita custos para o estado com o deslocamento do réu, evita deslocamento o que implica em segurança não só para o réu, mas também para a população dependendo do réu”, disse.
Dois meses após a implantação do projeto, relatório apresentado ao presidente Washington demonstrou que o número de cancelamento caiu pela metade. Atualmente, todas as varas criminais do estado e o próprio Tribunal contam com a nova tecnologia. Para as audiências acontecerem, foram implantados dois pontos no Presídio do Agreste e três no Núcleo Ressocializador da Capital.
Sistema de Marcação de Videoconferências
A fim de evitar possíveis congestionamentos durante as audiências virtuais, a Diretoria de Tecnologia da Informação do TJ/AL lançou, ainda em março, o Sistema de Marcação de Videoconferências (Simavi). Ele permite que os magistrados agendem as videoconferências entre as unidades judiciárias e o sistema prisional.
O projeto, que para ser implantado levou em consideração o Código de Processo Penal (CPP) e a Resolução nº 105 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), custou R$ 3 milhões ao Poder Judiciário. O réu, Amaro Genuíno Neto, está preso em São Paulo. Ele é acusado de ter assassinado a golpes de facão Nivaldo Manoel da Silva, em abril de 2011, no município de Jacuípe (AL).
Na denúncia oferecida à Justiça pelo Ministério Público do Estado de Alagoas (MP/AL) contra Amaro, afirma que o crime foi motivado por suposta briga entre o denunciado e a vítima. Irritado com a situação, o réu armou-se com um facão aplicou golpes na vítima, que veio a falecer.
Ele está sendo julgado por homicídio simples. O júri será conduzido pelo magistrado José Eduardo Nobre, que responde pela 1ª Vara da Comarca, às 9h, no Fórum de Porto Calvo, localizado no Centro da Cidade.
Últimas notícias
BBQ Show reúne toneladas de carne e mestres do churrasco em Maceió neste sábado (14)
Homem fantasiado de palhaço que assediou alunos na Ufal tem passagens pela polícia
AMA reúne prefeitos para discutir teto na contratação de shows e ações na saúde
Programa idealizado por Rafael Brito ajuda a reduzir evasão escolar no país, aponta estudo
Colisão entre carro e moto deixa motociclista ferido no Centro de Arapiraca
Incêndio atinge food truck e mobiliza bombeiros no bairro da Jatiúca, em Maceió
Vídeos e noticias mais lidas
Carlinhos Maia é condenado a pagar R$ 200 mil por piada sobre má-formação óssea
Subcomandante de unidade da PM de AL é denunciado por agredir a esposa, também policial militar
Secretário da Fazenda de Maceió cria dificuldades para pagar fornecedores
Planalto confirma 13º infectado em comitiva com Bolsonaro
