Alagamentos aumentam a possibilidade de infecções por veiculação hídrica
Quando chove forte a cena em vários pontos de Maceió é a mesma, alagamentos. Não é incomum ver o riacho salgadinho cheio, chegando inclusive a transbordar. O canal que passa pela Rua São João em direção a Avenida Senador Rui Palmeira costuma transbordar, inclusive, após chuvas sem tanta intensidade. Nas grotas o transtorno é constante após qualquer chuva. Mais do que afetar o trânsito e a mobilidade, esses alagamentos provocam sérios riscos a população. Em contato com a água contaminada a possibilidade de desenvolver um quadro de diarreia é grande. E esse não é o único e nem o mais perigoso problema, outras doenças como a leptospirose também são transmitidas através do contato com alagamentos ou até pequenas poças de água contaminada.
“A diarreia pode começar de forma leve com uma ou duas evacuações por dia. Neste caso a ingestão de soro caseiro resolve. Com evacuações até dez vezes por dia há necessidade de procurar ajuda médica nas unidades de saúde locais, onde é feita uma hidratação maior. Mas se o caso é mais grave o paciente é encaminhado para hospitais. Já a leptospirose, por exemplo, é uma doença mais grave e que pode levar o paciente a morte de forma rápida. O período para apresentar os sintomas pode ser de até 15 dias. Os primeiros sintomas são sempre dores de cabeça, muscular, febre e aí não tem jeito, muitos confundem com viroses e o tratamento ideal acaba sendo retardado, com chances de óbito”, explicou a técnica do programa de doenças de veiculação hídrica da Secretária Estadual de Saúde de Alagoas(Sesau), Vanessa Barbosa.
Doenças como hepatite e febre tifoide também podem se manifestar após o contato com água da chuva contaminada. A recomendação é sempre evitar alagamentos, mas em algumas localidades essa é uma missão praticamente impossível. No loteamento Ipanema, antiga Grota do Macaco, o córrego transborda após chuvas fortes. Dependendo da continuidade da chuva, moradores são obrigados a passar por pontos da comunidade com água na cintura.
“Não temos outro local para passar. A gente precisa trabalhar. Nãso fazemos isso por brincadeira. A gente até tentar levantar a calça e levar os sapatos nas mãos, para lá em cima , na casa de um morador que já colocou uma torneira do lado de fora, lavar os pés e seguir para o trabalho”, expos a presidente da associação de moradores do loteamento Ipanema, Edilene Regina.
Controlar as crianças é complicadíssimo no local. A presidente da associação revela que enquanto muitos pais trabalham, os filhos brincam dentro do córrego, atrás de peixinhos. A comunidade teria registrado vítimas fatais, justamente por esse contato com a água da chuva represada e contaminada.
“Foram duas crianças, há cerca de dois anos e meio ou três que contraíram leptospirose e acabaram morrendo”, finalizou Edilene Regina.
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