Pesquisa revela que Alagoas tem 13 cidades com 0% de cobertura de esgoto
Dados são do Ranking de Eficiência dos Municípios, divulgados neste domingo pela Folha de São Paulo
Além dos inúmeros problemas sociais e políticos que os alagoanos enfrentam diariamente, outro entrave preocupa o estado: o acesso ao saneamento básico e de qualidade. O Ranking de Eficiência dos Municípios revelou que 13 cidades de Alagoas tem 0% de cobertura de esgoto. A pesquisa foi divulgada na manhã deste domingo (28), pelo jornal Folha de São Paulo.
São eles: Olho D’água Grande, Minador do Negrão, Cacimbinhas, Ouro Branco, Jaramataia, Craíbas, Dois Riachos, Limoeiro do Anadia, Monteirópolis, Jundiá, Porto de Pedras, Pindoba e Paripueira. A pesquisa dividiu os municípios de acordo com o nível de eficiência: “eficiente”, “pouco eficiente”, “alguma eficiência”, e “ineficiente”.
Alagoas tem apenas 13 cidades que foram consideradas eficientes. Os quatro primeiros colocados no ranking foram Satuba, Maribondo, Barra de São Miguel e São Miguel dos Milagres.
Outras cidades, apesar de estarem melhores colocadas no ranking da pesquisa, devido às outras estatísticas, também registraram números de saneamento básico pouco satisfatório. Em São Sebastião, por exemplo, apenas 1% das casas possuem cobertura de esgoto, assim como em Olivença, Feira Grande e São José da Tapera. Maceió, por sua vez, possui 31% dos domicílios cobertos.
Os municípios que obtiveram maior cobertura foram: Novo Lino (35%), Marechal Deodoro, São Miguel dos Campos e Capela (51%), Murici (55%), Satuba (56%), Ibateguara (57%), Boca da Mata (61%), União dos Palmares (62%), Maribondo (66%) e Delmiro Gouveia (69%).
Em termos de atividade econômica, são mais eficazes na gestão as cidades onde predominam os serviços e a indústria. As menos eficientes dependem mais da agricultura ou da própria administração municipal. Três entre cada quatro municípios do Brasil (76%) não são eficientes no uso dos recursos disponíveis para as áreas básicas de saúde, educação e saneamento, segundo os critérios e análises dos resultados do REM-F.
Para o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, no entanto, a tendência de diminuição da participação da indústria no PIB e o maior dinamismo das regiões agrícolas e do Nordeste podem estar mudando a dinâmica de desempenho dos municípios brasileiros.
Ele observa que a evolução do IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, da ONU) vem mostrando melhora nas cidades mais atendidas pelo Bolsa Família (metade dos beneficiários está no Nordeste) e nas novas fronteiras agrícolas.
"O emprego no setor industrial tem um bom nível, mas está piorando. Na agricultura, o nível é pior, mas está melhorando", diz Vale.
Outro ponto decisivo para a eficiência dos municípios parece ser o funcionalismo.
O REM-F revela que quanto maior o percentual de aumento do número de servidores entre 2004 e 2014, pior a eficácia das prefeituras nas áreas de saúde, educação e saneamento.
Entre os 5% dos municípios com índice de eficiência de até 0,30, o funcionalismo cresceu 67%, em média, entre 2004 e 2014. Nas cidades acima da faixa de 0,50, a taxa ficou em 48%. No mesmo período, a população aumentou 12%.
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