Garotinho ofereceu suborno para tentar evitar prisão, diz procuradoria
A Procuradoria Regional Eleitoral do Rio (PRE/RJ) requereu à Polícia Federal a abertura de um inquérito para apurar denúncias sobre tentativa de suborno de um juiz pelo ex-governador do Rio Anthony Garotinho e seu filho Wladimir Matheus.
Garotinho foi preso na última quarta (16) por suspeita de compra de votos em Campos dos Goytacazes.
Na madrugada deste sábado (19), ele foi transferido do Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, para o Hospital Quinta D'Or para exames médicos, por determinação da juíza Luciana Lóssio, do TSE.
O pedido de investigação da PRE/RJ baseia-se em acusações feitas pelo juiz da 100ª Zona Eleitoral de Campos, Glaucenir Silva de Oliveira, que autorizou a prisão preventiva do ex-governador.
O juiz disse à procuradoria que Garotinho e seu filho ofereceram "quantias milionárias" a conhecidos seus em tentativa de interferir em suas decisões e evitar a prisão.
Segundo procurador regional eleitoral Sidney Madruga, foram pelo menos duas ofertas de suborno, nos valores de R$ 1,5 milhão e R$ 5 milhões, em troca de decisões favoráveis aos investigados.
Madruga diz que há também denúncias de tentativa de interferência no trabalho da Polícia Federal e de "ameaças veladas" a um promotor eleitoral em Campos.
Os dois últimos casos, porém, ainda estão sob sigilo. Todas eles ocorreram no último mês, quando as investigações estavam perto do fim.
"Essas tentativas de obstrução da Justiça não ficarão impunes", afirmou o procurador Madruga. O pedido de investigação foi feito em ofício enviado à PF na noite de sexta (18).
Também na sexta, a PRE/RJ enviou ofícios ao Ministério Público Estadual para pedir à Promotoria de Campos que tome medidas necessárias para reprimir os possíveis crimes eleitorais praticados por Garotinho e seu filho.
A defesa de Garotinho informou que irá representar contra o juiz pelo crime de denunciação caluniosa.
"O relatado pelo juiz, após seus abusos de autoridade e cenas grotescas da semana, merece resposta unicamente jurídica e ele irá responder criminalmente por denunciação caluniosa", afirmou o advogado Fernando Augusto Fernandes.
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