Em ano de impeachment, Brasil fica em 79ª lugar em ranking mundial de corrupção
Tecnicamente não houve alteração no posicionamento do país em relação a 2015
Em ano de impeachment e de recorde de fases da Operação Lava Jato, o Brasil ficou com a 79ª posição no ranking sobre a percepção da corrupção de 2016 produzido pela ONG (organização não-governamental) Transparência Internacional divulgado nesta quarta-feira (25). Segundo a entidade, tecnicamente não houve uma alteração do posicionamento do Brasil em relação a 2015, quando o país esteve no 76º lugar, já que nesta edição foram considerados 176 países, uma amostra maior do que o levantamento passado com 168 nações.
A estagnação no ranking se deve a percepção internacional de que o Brasil não melhorou no combate à corrupção mesmo com o processo de impeachment que retirou Dilma Rousseff (PT) da Presidência da República. "Saiu um governo manchado de corrupção e entrou outro [do presidente Michel Temer (PMDB)] que já mostrou falta de integridade na nomeação de seus cargos", afirma Bruno Brandão, coordenador do programa Brasil da ONG.
Lava Jato
A percepção internacional sobre a corrupção no Brasil também está atenta aos movimentos da Operação Lava Jato. Segundo Brandão, a investigação da Polícia Federal expôs uma imagem de empresas corruptas que atuam dessa forma inclusive no mercado global. "O Brasil está numa encruzilhada. Pode se manter como um país exportador de corrupção ou levar a sério o combate à corrupção e punir devidamente os casos revelados pela Lava Jato", afirma.
Brandão também diz que a investigação em curso pode provocar uma "sensação de atacar a impunidade" no país. No entanto, o Brasil só irá melhorar no ranking quando aplicar medidas para acabar com o "mal sistêmico". "O Brasil só vai ter um salto de qualidade com o fortalecimento das instituições de combate à corrupção e ao instaurar uma consciência social da importância da integridade", avalia.
A Transparência Internacional produz o ranking da corrupção desde 2001. Segundo a ONG, a lista é uma ferramenta para avaliar como executivos e integrantes de instituições internacionais avaliam o grau de transparência dos países.
Em 2016, a pesquisa foi realizada a partir de entrevistas com integrantes de 12 instituições como o Banco Mundial, Fórum Econômico Mundial e o Banco Africano de Desenvolvimento. Entre as perguntas feitas aos entrevistados estavam questões como: "em que medida ocupantes de cargos públicos são impedidos de abusar de seus postos?" e "em que medida ocupantes de cargos públicos que abusaram de seus cargos foram processados ou punidos?; e "em que medida o governo contém a corrupção efetivamente?".
As notas dadas aos países vão de 0 a 100. Quanto maior a nota, mais transparente é o país. A nota do Brasil foi de 40 pontos, mesma pontuação alcançada pela China e a Índia. Países como Senegal, Namíbia e Turquia e Chile estão à frente da nação brasileira.
No ranking de 2016, Dinamarca e Nova Zelândia foram considerados os países mais transparentes, com 90 pontos. Na outra ponta, está a Somália, com 10.

Dinamarca e Nova Zelândia são líderes da transparência
Pela quinta vez seguida, Dinamarca lidera o ranking da Transparência Internacional. Nessa edição, o país divide o topo da lista com a Nova Zelândia. Em 2016, o "top 10" dos países mais transparentes é complementado por Finlândia (3º), Suécia (4º), Suíça (5º), Noruega (6º), Cingapura (7º), Holanda (8º), Canadá (9º) e Alemanha (10º).
Na parte debaixo do ranking, a Somália aparece novamente como o país menos transparente do mundo. O país, considerado por organizações internacionais como um "Estado falido", ocupa a última colocação do ranking desde 2007. Completando a lista dos 10 países menos transparentes, estão: Sudão do Sul (175º), Coreia do Norte (174º), Síria (173º), Sudão, Líbia e Iêmen empatados (170º), Afeganistão (169º), Guiné-Bissau (168º) e Iraque (166º).
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