Ano começa com queda na confiança do empresário do comércio de Maceió, diz Fecomércio
A confiança do empresário do Comércio está em queda. Após atingir o mais alto índice de 2016, em novembro (102,3), o indicador reduziu suas expectativas em dezembro (99,8) e manteve-se em declínio no início do ano de 2017 (95,1). Os números são do levantamento Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) de Maceió, realizado pelo Instituto Fecomércio de Estudos, Pesquisas e Desenvolvimento do Estado de Alagoas (Instituto Fecomércio AL), em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
A queda ocorrida entre dezembro e janeiro foi de 4,7%. Entretanto, 2017 se inicia com uma confiança 14,16% superior à registrada em janeiro de 2016. Na opinião do assessor econômico da Fecomércio, Felippe Rocha, a virada do ano trouxe incertezas. “Em sua maioria, as vendas para os segmentos do Comércio ficaram abaixo de suas próprias expectativas, crescendo cerca de 2%, em média”, disse.
Além do desempenho inferior ao esperado, os empresários se deparam com um mercado de trabalho desaquecido; o que reduz ainda mais o universo de consumidores potenciais. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), existem 12,1 milhões de desempregados no país. Some-se a esse número o universo de inativos com potencial de trabalho e os que já não buscam empregos há mais de 90 dias, são 20 milhões de desempregados. Neste contexto, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que, ao final de 2017, o Brasil terá o terceiro maior exército de desempregados entre as maiores economias do mundo (Bloco do G-20).
“Essa triste realidade reduz as expectativas do Comércio, que depende de empregos em todos os setores para gerar renda e alavancar o consumo de seus produtos. Outro aspecto que tem rebaixado as expectativas dos empresários do setor é a situação da economia em geral. Apesar de ter ocorrido alguns fatos importantes, como a inflação abaixo do teto da meta, o que significa que os preços estão aumentando de forma mais lenta; e a redução da taxa Selic em 0,75 p.p. [pontos percentuais] apontam para uma melhora no retorno da atividade produtiva”, analisa.
O economista ressalta que as políticas econômicas adotadas pelo governo ainda não tiveram efeito no curto prazo e as Parcerias Público-Privadas (PPP) estão trazendo dúvidas quanto à sua eficácia e à capacidade de conquistar investimentos privados do exterior. “A criação de um teto de gastos só surtirá resultado no final de 2018. E enquanto não houver efeito prático do modelo do governo, a dívida pública continuará a crescer”, avalia.
Levantamento
De acordo com os indicadores da pesquisa do Instituto Fecomércio AL, houve uma redução de 6,74% entre janeiro e dezembro em relação às condições atuais do empresário do comércio. Esse resultado sinaliza que as liquidações de janeiro e as vendas de materiais escolares não surtiram o efeito desejado para o empresariado (apenas para alguns segmentos). Em relação às condições futuras, a redução foi de 2,75%, justamente pelos efeitos da crise.
“O cenário de crise não debelada, as ações tímidas e pontuais do governo e a crise política fecham o cerco a diversas empresas, que param de investir. Como consequência vêm o desemprego e a inadimplência”, observa. E a pesquisa aponta isso: houve redução de 6,95% na intenção dos empresários em realizarem novos investimentos.
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