População deve ficar atenta às doenças de veiculação hídrica no período de chuvas
Entre as mais comuns estão à leptospirose, diarreia aguda, febre tifoide e hepatite A
Devido às chuvas que estão atingido o Estado nos últimos dias, as doenças de veiculação hídrica afetam a população por meio das fezes, tanto humanas como animais, assim como lixo e os esgotos. Portanto, para que não haja registro de ocorrência de enfermidades durante este período é preciso que as pessoas tenham conhecimento sobre os cuidados que devem ser tomados.
A coordenadora do Programa de Combate às Doenças de Veiculação Hídrica da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), Jean Lúcia dos Santos, destaca que em situações de enchentes e inundações há um risco maior de se contrair doenças transmitidas pela água contaminada, seja pelo contato com a pele ou pela ingestão. “Tal fato pode levar à ocorrência de doenças como leptospirose, diarreia aguda, febre tifoide e hepatite. Nestas situações, até mesmo o tétano pode ser contraído, visto que as pessoas podem se ferir com cacos de vidro ou pedaços de metal que estão escondidos na água”, explicou.
Para ela, neste período, o ideal é que a população evite sair de casa. No entanto, se for impossível, faz-se necessário usar sapatos fechados, a exemplo dos tênis e botas. Jean Lúcia alertou que para a limpeza dos imóveis inundados devem ser tomados alguns cuidados. Isso porque, a enxurrada e a lama dos locais afetados pelas chuvas podem ter sido contaminadas pela urina de roedores, sobretudo ratos e camundongos, que podem estar infectados pela bactéria leptospira.
“O risco aumenta quando a população retorna às casas para a limpeza, podendo entrar em contato com o material contaminado. Nesse momento é fundamental o uso de luvas, botas de borracha ou sacos plásticos duplos amarrados nas mãos e nos pés. Toda a água e lama remanescentes devem ser removidas. Caso tenha entrado em contato com a água suja na rua é importante que, ao chegar à sua residência, os pés sejam lavados com água e sabão”, apontou.
A limpeza das paredes e do piso deve ser feita com solução de água sanitária. “A água contaminada não pode ser utilizada para beber, lavar a louça ou para a preparação de alimentos”, reforçou Jean Lúcia. Ainda de acordo com ela, os arredores devem ser mantidos limpos, livres de entulho, lixo e de mato. Os buracos e frestas devem ser vedados e caixas d’água e poços também precisam ser limpos.
Hipoclorito
O hipoclorito de sódio é ótimo para desinfetar a água e torná-la segura para beber. “Deve-se usar apenas duas gotas para purificar 1 litro de água e deixar agir por 15 a 30 minutos antes do consumo”, orientou Jean Lúcia
Vírus, bactérias e micro-organismos são facilmente transportados pelas mãos, que são a parte do corpo que mais têm contato com outras pessoas e objetos, aumentando o risco de contaminação. Para Jean Lúcia, a transmissão de doenças pode ser bastante reduzida se as pessoas lavarem as mãos adequadamente e evitar levá-las aos olhos, nariz, boca, sem a devida higienização.
“Basicamente, a pessoa deve usar água limpa e sabonete para lavar integralmente toda a superfície da mão, iniciando pelas palmas, preocupando-se muito com as pontas e o espaço entre os dedos, unhas, dorso, até a região do punho. O processo deve demorar, aproximadamente, de 30 segundos a um minuto. Isso pode ser substituído ou complementado pela utilização de álcool em gel", indica.
Higiene é fundamental
Segundo Jean Lúcia, boas práticas de cozimento e ingestão de água potável são fundamentais para evitar as doenças diarreicas agudas, que também podem ser transmitidas no período de enchentes.
“A doença diarreica aguda é causada por diferentes agentes etiológicos, como bactérias, vírus e parasitas. Entre os sintomas mais comuns está o aumento do número de evacuações, com fezes aquosas ou de pouca consistência. Em alguns casos, há presença de muco e sangue. Podem ainda ser acompanhadas de náusea, vômito, febre e dor abdominal”, esclareceu.
Quando a pessoa tem sintomas de doença diarreica aguda deve hidratar-se e procurar uma unidade de saúde o quanto antes. “O tratamento é feito com maior ingestão de líquidos, bem como, sais de reidratação, que são distribuídos pelos serviços de saúde aos pacientes. A princípio, não há restrições à dieta dos pacientes”, salienta.
Os sintomas destas doenças são muito parecidos, haja vista que os mais frequentes são febre alta, dor de cabeça, náuseas, dores musculares, principalmente nas panturrilhas (batata-da-perna), podendo ou não ocorrer icterícia (coloração amarela em mucosa e pele).
Depois de 3 a 4 dias, cada doença começa a apresentar suas especificidades. No caso de aparecimento destes sinais, o paciente deve procurar imediatamente um serviço de saúde mais próximo de sua casa.
“É importante que seja relatado se houve, por exemplo, contato com lama e água de enchentes, para que o profissional médico possa ter mais informações, com o propósito de fazer um diagnóstico preciso”, ressaltou Jean Lúcia.
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