Secretaria do PT repudia texto de jornalista que chama Gleisi de 'Maria Louca'
A Secretaria Nacional de Mulheres do Partido dos Trabalhadores (PT), expressou repúdio ao texto ‘Gleisi Maria Louca’, assinado pelo jornalista Ricardo Noblat e publicado em seu blog no portal da revista Veja nesta terça-feira (17). A publicação foi considerada como ataque político e de cunho machista contra a presidente nacional do PT, a senadora Gleisi Hoffmann.
Na nota, a secretaria lembrou de outras publicações que utilizavam o termo ‘louca’ com o objetivo de deslegitimar as mulheres no partido e a presença delas na política. Usando como exemplo uma matéria de capa da IstoÉ, em que comparava a ex-presidente Dilma Rousseff, com a primeira rainha do Brasil, registrada na história como Maria I, a louca.
Já a Ricardo Noblat não falta críticas a escolha do termo, e sobre o machismo que ele carrega contra a presidente do PT, considerado pela entidade como uma forma de atacar não só a senadora, mas a própria presença de mulheres na família.
Confira na íntegra o texto da Secretaria Nacional de Mulheres do PT:
"A imprensa brasileira está fora de controle, mas seus profissionais seguem afirmando que loucas são as mulheres. O jornalista Ricardo Noblat, em texto machista publicado sob o título ‘Gleisi Maria Louca’, nesta terça-feira (17), em seu blog no portal da revista Veja, se utiliza do termo ‘louca’ para atacar politicamente a presidenta nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann.
Não é a primeira vez que um profissional da comunicação recorre à tática sexista para deslegitimar a presença de uma mulher na política. O mesmo aconteceu em 2016, durante a articulação do golpe, quando a revista IstoÉ, em uma matéria de capa, comparou a presidenta eleita, Dilma Rousseff, com a primeira rainha do Brasil, registrada na história como Maria I, a louca.
Em um país de cultura predominantemente machista, o texto assinado por Noblat, que em um dos trechos diz que ‘Gleisi está louquinha da silva’, reforça a estratégia machista utilizada para atacar a presença de mulheres na política.
Essa é uma prática recorrente na nossa sociedade, afinal, qual mulher nunca foi chamada de louca ou teve sua sanidade questionada? É difícil acreditar que esse mesmo tratamento seja equivalente à abordagem que um homem recebe.
O machismo disfarçado em um título de texto jornalístico também se constitui como uma forma de agressão que precisa ser combatida, e se estende a todas as mulheres, estejam elas na política ou não.
Episódios como esse reafirmam a decadência do jornalismo praticado pela grande mídia e coloca em pauta a necessidade de construir uma nova comunicação que seja democrática e que respeite as mulheres."
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