Bolsonaro vence primeiro turno e enfrentará Haddad no segundo
O candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro ganhou com uma margem ampla o primeiro turno das eleições presidenciais do Brasil, mas disputará o segundo turno com Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores (PT), em 28 de outubro.
Com mais de 95% das urnas apuradas, Bolsonaro, ex-capitão do Exército, de 63 anos, tinha 46,82% dos votos, contra 28,22% de Haddad, indicado como candidato do PT pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso.
Em Alagoas, o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) obteve a maioria dos votos, chegando a 45,53% dos votos válidos no estado totalizando 639.471 votos, seguido por Jair Bolsonaro com 32% e Ciro Gomes com 9%.
Alívio no PT
Em um hotel no centro de São Paulo, onde Haddad dará sua coletiva de imprensa, houve gritos de alegria e alívio com a divulgação dos resultados.
Na esplanada dos ministérios de Brasília, os partidários de Bolsonaro reagiram com desilusão.
Após votar em São Paulo nesta manhã, Haddad disse estar convencido de que haveria segundo turno e começou a criar pontes com outros candidatos.
A chave para que Haddad se aproxime da porcentagem de Bolsonaro está em Ciro Gomes (PDT), que tinha 12,52% dos votos.
Bolsonaro e Haddad são os vencedores e, ao mesmo tempo, os candidatos com maiores índices de rejeição.
Haddad, ex-prefeito de São Paulo pouco conhecido em outras regiões, tentou se identificar com Lula e, assim, pôde herdar metade do eleitorado de seu mentor, sobretudo entre a população pobre, que melhorou suas condições de vida sob seus mandatos (2003-2010).
Mas também herdou o ódio que Lula inspira entre aqueles que condenam pelos escândalos de corrupção, revelados pela Operação Lava Jato e pela crise econômica em que mergulhou o país sob o mandato de sua herdeira política, Dilma Rousseff, deposta em 2016 pelo Congresso.
Durante a campanha, Haddad "se esqueceu muito do centro, que é fundamental. Sem o centro não se ganha uma eleição e menos ainda se governa, então precisa desse apoio já. São três semanas, uma campanha curtíssima, e mais ainda tem que pensar na governabilidade, estabelecendo compromissos com esses setores", disse André César, da consultora Hold em Brasília.
Na última semana, Bolsonaro recebeu apoio de setores poderosos, como os ruralistas e as igrejas evangélicas.
Mas precisa lidar com um histórico de declarações racistas, misóginas e homofóbicas e com suas justificativas da tortura durante a ditadura militar (1964-1985), que lhe renderam uma ampla rejeição entre as mulheres e as minorias.
Em seu último vídeo no Facebook, o candidato prometeu governar "inclusive" para ateus e gays.
"Vamos fazer um governo para todos, independentemente da religião, até para quem é ateu. Vamos fazer um governo para todo mundo, para os gays, inclusive, porque tem gay que é pai, que é mãe", publicou.
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