Câmara realiza audiência para discutir assistência pública e direito dos idosos em Maceió
Entidades cobram políticas públicas que atendam essa parcela crescente da população
“Dignidade Humana: um Direito Fundamental da Pessoa Idosa” foi o tema da audiência pública realizada pela Câmara Municipal de Maceió, nesta quinta-feira (6), no Plenário Silvânio Barbosa, em Jaraguá. A discussão foi de iniciativa do Vereador Cleber Costa (Progressistas) em alusão ao dia 15 de junho, instituído como o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa.
Segundo dados do último censo do IBGE, havia em Maceió 51.854 idosos com 65 anos ou mais, que correspondiam a 5,56% do total da população. De acordo com projeção, entre 2010 e 2018 aumentou em 4.434 o número total de idosos.
“Houve um incremento significativo na população de idosos no município e, com isso, faz-se necessário avaliar a assistência pública dada a esta parte tão fragilizada da população de nossa cidade, bem como avaliar o que é preciso melhorar na qualidade de vida dos idosos como um todo”, declarou o parlamentar.
Segundo Betânia Jatobá, vice-presidente do Conselho Estadual do Idoso, os impactos da violência contra a pessoa idosa são muitos e é um desafio para todas as áreas que desenvolvem ações junto a este segmento populacional por ser um fenômeno silencioso e difícil de ser detectado. Ela ainda destacou que a violência interfere na qualidade de vida e na saúde do idoso, ocasionando uma gama de sequelas orgânicas e emocionais.
Para Tereza Vieira, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa, falta iniciativa e investimento em políticas públicas para dar mais assistência à terceira idade de Maceió.
“Falta o Poder Público cumprir a parte dele, Maceió não tem uma política municipal para a pessoa idosa e, sem isso, vai ser muito difícil conseguir que os idosos tenham a sua dignidade respeitada. Muitos deles são analfabetos e isso mostra a necessidade de existir educação para o envelhecimento para que eles entendam os seus direitos” declarou Tereza.
NO PAPEL - Maria Lucia Moreira da Silva, representante da Associação Nacional da Gerontologia de Alagoas (ANG/AL), frisou que a política do idoso tem 25 anos e em Alagoas ela não nunca saiu do papel. Além disso, disse que a saúde não dá boas condições de trabalho para os geriatras e muitos pacientes ficam desassistidos e não envelhecem com dignidade.
O vereador Cleber Costa falou da necessidade de conscientizar a sociedade do respeito e da relação de troca que deve existir entre os jovens e os idosos e alguns fatores que precisam ser alterados para que a terceira idade tenha mais qualidade de vida e seus direitos respeitados.
“Torna-se necessário conscientizar a sociedade em geral, iniciando pelos mais jovens, da possível, importante e rica relação de troca que deve ser estabelecida com os idosos, de forma a evitar que as pessoas mais velhas sejam vistas como parte desprezível da sociedade. Além disso, é preciso que sejam revistas as vagas disponíveis para os idosos nos transportes públicos que ainda são poucas, a falta de medicação especializada na Farmex, a criação de uma política municipal, a quantidade de médicos geriatras disponíveis na saúde pública, entre outras questões que contribuem para o envelhecimento saudável dessas pessoas”, finalizou o parlamentar.
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