Acusado de matar Guilherme Brandão senta no banco dos réus nesta quinta
Crime que vitimou dono da casa de shows Maikai ocorreu em 2014
Nesta quinta-feira (13), a partir das 8h, a 9ª Vara Criminal da Capital, iniciará o julgamento do assassino confesso do empresário Guilherme Paes Brandão, dono da Choparia e Bar Show Maikai. Ele foi assassinado com um tiro pelas costas, por Marcelo Carnaúba, na época gerente financeiro do Maikai, na manhã do dia 26 de fevereiro de 2014, dentro do seu próprio estabelecimento.
Segundo informações da assessoria de comunicação do Ministério Público Estadual (MPE/AL), a 49ª Promotoria de Justiça da Capital atuará no caso. Os promotores Leonardo Novaes Bastos e Marcus Vinícius Batista Rodrigues Júnior farão o papel de acusação, ao lado do advogado José Fragoso, contratado pela família da vítima.
Em abril do mesmo ano, o MPE/AL ofereceu denúncia contra Marcelo dos Santos Carnaúba, ex-gerente administrativo e financeiro do Maikai. À época, o promotor de justiça José Antônio Malta Marques classificou o crime como um homicídio triplamente qualificado em virtude de motivo torpe, impossibilidade de defesa da vítima e ocultação de outro delito. Carnaúba também responderá pelas alterações no lugar em que ocorreu o assassinato, numa tentativa de atrapalhar as investigações.
Para Malta Marques, o crime aconteceu após a vítima descobrir os desvios financeiros praticados pelo acusado que ocupava cargo de confiança na empresa. Para não arcar com as consequências das irregularidades, o então gerente planejou e executou o assassinato do empresário. A autoria do homicídio foi comprovada com a confissão do delito por Carnaúba e também com os depoimentos prestados pelas testemunhas do caso. Quanto à materialidade do crime, servem como provas o laudo pericial do local da morte, o laudo do exame cadavérico e a certidão de óbito da vítima.
Acusado afastou funcionários na manhã do crime
Como parte do plano de assassinato, Carnaúba chegou a conceder folga a alguns funcionários da casa de shows naquela mesma data. A outros, ele sugeriu que chegassem mais tarde no expediente. Na manhã do dia em que ocorreu o crime, o gerente ligou o gerador de energia do estabelecimento, algo incomum no cotidiano da casa noturna, com o objetivo de disfarçar qualquer tipo de barulho diferente que despertasse suspeita quanto ao que estava prestes a ocorrer no escritório onde trabalhava.
A vítima, que costumava entrar na sala do acusado, adentrou o local sem a menor suspeita das intenções do empregado. “Já dentro da sala, Brandão foi atingido por um disparo de arma de fogo na região da nuca, o que nos fornece a certeza de que o empresário recebeu o ataque nas costas e pelas costas, vale dizer, por traição e de forma a não ter qualquer chance de defesa”, disse um trecho da denúncia.
Depois do assassinato, o então gerente administrativo e financeiro do Maikai arrastou o corpo do patrão, modificando a cena do crime, no intuito de simular outro delito no local, conforme a Polícia Civil constatou no laudo pericial de local de morte violenta, o que configura uma tentativa de fraude processual, segundo a denúncia do MPE/AL. Para se eximir do crime, Carnaúba ainda escondeu a arma na caixa de energia da casa e avisou aos demais funcionários que havia sofrido um assalto e que a vítima estava baleada.
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