DJ preso diz que viu mensagens de autoridades em celular de amigo, afirma advogado
Segundo defensor de Gustavo Elias Santos, 28, suspeito preso pela PF disse não ter relação com ataque hacker
Um dos presos pela Polícia Federal nesta terça (23) sob suspeita de ter hackeado celulares como o do ministro Sergio Moro, o DJ Gustavo Henrique Elias Santos, 28, disse a seu advogado que um amigo também preso mostrou a ele mensagens de autoridades obtidas ilicitamente.
Elias Santos e sua mulher, Suelen Oliveira, também presa, negaram ao advogado qualquer participação no ataque hacker a celulares de autoridades, como de Moro e do procurador Deltan Dallagnol. O amigo preso que teria mostrado o celular a ele é Walter Delgatti Neto.
“O próprio Vermelho [apelido de Delgatti Neto] mostrou algumas coisas para ele [Santos], e ele assustou e falou: 'Meu, cuidado com isso aí porque pode dar problema'. Na verdade, ele não acreditou naquilo, mas, pelo que foi narrado, mostraram algo para ele a respeito disso [invasão do celular de Moro]”, disse o advogado Ariovaldo Moreira.
“Ele [Elias Santos] vai contar exatamente o que aconteceu para a autoridade policial”, disse o advogado.
O depoimento do casal Elias Santos e Suelen está previsto para a tarde desta quarta (24). Os dois estão detidos numa cela de passagem da PF localizada no aeroporto de Brasília, onde passaram a noite.
Além de Elias Santos, Suelen e Delgatti Neto, o quarto preso é Danilo Cristiano Marques, segundo confirmaram à Folha pessoas com acesso à investigação.
Todos são naturais de Araraquara (SP), mas viviam ultimamente em cidades diferentes. Segundo a PF, os mandados de prisão foram cumpridos nas cidades de São Paulo, Araraquara e Ribeirão Preto (SP).
Segundo o advogado de Elias Santos, na casa dele foram apreendidos objetos pessoais, celular e R$ 100 mil em dinheiro proveniente de negócios com bitcoins.
Questionado se eu cliente tem alguma vinculação ou simpatia partidária, Ariovaldo respondeu. “Ele [Santos] me disse: ‘Rapaz, eu detesto isso’”. O advogado disse que seu cliente já foi a uma passeata de Bolsonaro e a filmou com um drone. Mas afirmou que ele não é apoiador do presidente.
O defensor do casal se queixou que eles demoraram a ter autorização para ligar para a defesa e viajaram de São Paulo a Brasília algemados.
“[Elias Santos] tentou falar comigo a todo o tempo, da casa dele até a PF de São Paulo, e a todo momento: 'cala a boca, você aqui não tem direito a nada'. Foi essa frase que ele me falou”, disse o advogado Moreira.
A Folha apurou que a PF chegou aos suspeitos por meio da perícia criminal federal que conseguiu rastrear os sinais do ataque aos telefones. Para investigadores, o grau de capacidade técnica dos hackers não era alto.
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