Avaliação do governo Bolsonaro tem queda nas redes sociais
Baixa em índice medido por startup coincide com frases polêmicas proferidas pelo presidente contra jornalistas, políticos e instituições
As frases polêmicas proferidas pelo presidente Jair Bolsonaro contra jornalistas, políticos e instituições na última semana de julho coincidiram com queda na avaliação do Planalto nas redes sociais, indica monitoramento da startup Arquimedes.
O índice registrou baixa semelhante em maio, no mesmo período em que o governo foi cercado por críticas e questionamentos pelo decreto que flexibilizou o porte de armas.
O Índice de Sentimento Arquimedes (ISA) mede diariamente o humor das manifestações a partir de publicações de perfis e páginas públicas no Twitter e no Facebook sobre o governo, variando de 0 a 100, onde 0 é totalmente negativo e 100 é totalmente positivo.
O levantamento aponta um início de julho positivo com 46 pontos. No período, o Planalto era impulsionado pela manifestação pró-governo de 30 de junho e acompanhava a tramitação e aprovação da reforma da Previdência em primeiro turno na Câmara dos Deputados.
A partir da segunda quinzena, porém, a variação teve uma baixa e chegou aos 35 pontos — menor índice registrado desde a posse. Foi no dia 19, durante um café da manhã com jornalistas estrangeiros, que o presidente disse ser "uma grande mentira" a fome no Brasil.
Na mesma ocasião, emendou acusações falsas contra a jornalista Miriam Leitão, questionou os dados de desmatamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e chamou governadores nordestinos de "paraíba", termo pejorativo usado no Rio.
A sequência de polêmicas e as repercussões nos dias seguintes fizeram o ISA oscilar entre 35 e 38 pontos. A queda também coincide com a declaração de Bolsonaro, no último dia 25, contra o jornalista Glenn Greenwald, acusado pelo presidente de ser um "malandro" que "talvez pegue uma cana" no Brasil.
Apesar da baixa na segunda quinzena de julho, o índice registrou uma leve recuperação positiva a partir do dia 29 de julho. A data bate com os ataques lançados por Bolsonaro contra o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz. Naquele dia, Bolsonaro afirmou falsamente que o pai de Santa Cruz havia sido morto por um grupo terrorista.
Queda semelhante só na primeira quinzena de maio. No dia 7 daquele mês, o Planalto editou decreto para flexibilizar o porte de armas — questionado por Congresso e Supremo Tribunal Federal.
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