Procurador não é juiz e ilação não é prova, diz Collor após ser alvo da PF
Senador voltar a se defender das acusações
O senador Fernando Collor (Pros-AL) voltou a atacar hoje a Polícia Federal e o MPF (Ministério Público Federal) ao se defender das investigações da operação Arremate, realizada na última sexta-feira (11), com o cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar.
Collor pediu a palavra no começo da sessão deliberativa desta tarde no Senado. Em discurso, afirmou não ter "a mais mínima vinculação com os fatos" e que a suspeita surgiu de um "vazamento seletivo, objetivo e cruel".
De acordo com a PGR (Procuradoria-Geral da República), a investigação é fundamentada na versão de um denunciante anônimo.
"Tenta-se criminosamente ligar coisa alguma a lugar nenhum. Tentando me utilizar de forma espúria como ponte imaginária", disse o parlamentar.
Collor declarou ainda que nem "sequer há um indício que se possa levar a sério nesse aspecto". "Desafio a que mostrem as provas, abram o jogo e discutam à luz do dia. Deixem o ambiente de sigilo e da fofoca. Exibam fatos. Procurador não é juiz. Ilação não é prova. Suspeição não é sentença."
"Mil buscas houvessem na minha residência, mil vezes sairiam de lá de mãos vazias, como de fato saíram. Não tenho a mais mínima vinculação com os fatos ali noticiados."
O ex-presidente da República já havia apresentado sua defesa por meio de mensagens publicadas em redes sociais, ontem (13). Ele disse ter sido vítima de uma "violência".
"Envolto na historieta criada pelo malicioso engenho mental de integrantes da Polícia Federal e setores do Ministério Público, sustentados por supostos e inverossímeis relatos de fontes humanas não identificadas, fui figura central de uma busca e apreensão residencial baseada, não em indícios veementes —aptos a afastar o direito a inviolabilidade do lar— , mas em mera e irreal suposição de inquisidores destituídos de bom senso, prudência e responsabilidade funcional, porém, movidos por manifesta má-fé e espírito emulativo."
Os investigadores afirmam que Collor pode ter utilizado o assessor parlamentar Tarso de Lima Sarmento, que ganha R$ 4,6 mil mensais no Senado, como laranja na compra de R$ 6 milhões em imóveis adquiridos em cinco leilões. Foram autorizados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) 16 mandados de busca e apreensão.
Segundo reportagem do jornal "O Estado de S. Paulo", a PGR chegou à conclusão de que os valores dos imóveis arrematados por Tarso foram, em parte, pagos pela empreiteira CCB Engenharia. A empresa teria "contratos vultosos" com o governo de Alagoas. Foi apurado ainda que o assessor parlamentar teria feito transações financeiras com o filho de Collor.
Uma Range Rover de motor V8 declarada pelo próprio Senador ao Tribunal Superior Eleitoral, durante as eleições de 2018, estaria, na verdade, em nome do CPF do assessor.
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