Sem-teto acusam PMs de truculência sob lema "agora é Bolsonaro" em AL
Líderes sem-teto acusam polícia de truculência em ocupação em Maceió
"Duas viaturas da polícia apareceram aqui na ocupação na manhã de hoje. Fizeram uma ação violenta. Renderam pessoas, mandaram outras entrarem nos barracos, invadiram e quebraram coisas da cozinha coletiva. Rasgaram nossos livros de registros. Gritavam 'quem manda agora é Bolsonaro' e 'Lula está morto'. Tocaram fogo em nossas bandeiras e disseram que tínhamos que trocar pela bandeira do Brasil."
Eliane Silva, coordenadora do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), em Alagoas, acusou policiais militares de realizarem uma ação truculenta na ocupação Dandara, na periferia de Maceió, nesta manhã de sexta (27).
Segundo ela, a área, com 14 hectares, foi cedida pelo governo Renan Filho (MDB), em 2018, para a construção de moradias populares e se localiza em um dos bairros mais pobres da cidade, Benedito Bentes. A Universidade Federal de Alagoas está trabalhando em um projeto do conjunto residencial que será erguido no local para as 446 famílias.
"Não bateram em ninguém. Chegaram a algemar e botar uma das companheiras que estava na cozinha na viatura, sem mandato judicial, sem nada. Depois, a soltaram no meio do caminho", diz a coordenadora. A ação levou muitos a fugirem da ocupação com medo de morrer. Maceió é uma cidade muito violenta, principalmente se você for jovem e negro", afirma.
Ela conta que, no dia anterior, nove viaturas haviam entrado na ocupação, verificado como estava a situação e ido embora sem incidentes.
"Entrar para quebrar coisas do pessoal e levar líderes sociais é inadmissível." A declaração é da secretária estadual da Mulher e dos Direitos Humanos de Alagoas, Maria José da Silva. Ela afirmou que o governo repudia qualquer ato de violência.
"O governador Renan Filho já me ligou e pediu para eu acompanhar a situação, que ele quer ver esclarecida e resolvida. Temos uma ótima relação com os movimentos sociais. Nunca aconteceu uma situação como essa. Estamos engajados para entender o que ocorreu e cobrar punição", afirma.
De acordo com a secretária, foi marcada para a próxima segunda (30), uma reunião entre ela e o movimento, com a presença do comandante geral da polícia, do secretário adjunto de Segurança Pública e do deputado federal Paulão (PT-AL).
Em nota enviada, a Secretaria Segurança Pública de Alagoas informou que ainda não recebeu denúncia a respeito do caso, mas que está disponível para tanto e para investigá-la via corregedoria. E afirmou que "não compactua com qualquer tipo de excesso que venha a ser cometido por seus agentes".
Funcionários do governo alagoano com os quais a coluna conversou, em caráter de anonimato, afirmam que a ação representa desobediência direta de agentes à autoridade de Renan Filho, que vem mantendo diálogo com movimentos sociais.
"A gente tem visto uma série de ataques estimulados, de algum modo, por falas do presidente da República. Essa atuação miliciana de policiais de Alagoas na ocupação é uma expressão disso, assustando crianças, botando arma na cara de mulheres, tocando terror nas pessoas, isso é a expressão dessa barbárie", afirma Guilherme Boulos, coordenador nacional do MTST.
"Se não houver nenhum tipo de punição em ações como essa, elas vão se normalizando, se tornando permitidas. Na próxima vez, pode ser que custe a vida de pessoas", avalia.
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