Bolsonaro procura Petrobras para falar sobre impacto de ataque dos EUA
Presidente admitiu que a ação dos EUA vai impactar o preço do petróleo
O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira que tentou falar com o presidente da Petrobras (SA:PETR4), Roberto Castello Branco, e com o ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre riscos de uma possível alta de combustíveis no país devido ao ataque dos Estados Unidos que matou o general Qassim Suleimani, comandante da força de elite iraniana Quds, mas não conseguiu.
Na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro admitiu que a ação dos EUA vai impactar o preço do petróleo no mercado internacional, o que pode repercutir no Brasil.
"Que vai afetar, vai. Agora vamos ver o nosso limite aqui", disse ele a jornalistas.
Os contratos futuros do petróleo subiam quase 4% nesta manhã de sexta-feira, depois que um ataque aéreo dos Estados Unidos em Bagdá matou o chefe da força de elite Quds, do Irã.
O presidente disse que o governo não pode intervir no preço do combustível e destacou que, quando foi feito no passado uma política de tabelamento, não deu certo.
Anteriormente, a Petrobras acumulou prejuízos ao não repassar para o mercado interno a alta das cotações externas.
Bolsonaro também voltou a defender a quebra do que chamou de "monopólio" no setor de combustíveis, além de mudanças na cobrança do ICMS como forma de baratear o preço dos derivados de petróleo.
"A questão do combustível, temos que quebrar o monopólio. A distribuição é a coisa que mais pesa no combustível", afirmou.
A Petrobras, que detém um monopólio no refino de combustíveis no Brasil, está vendendo aproximadamente metade de sua capacidade, como forma de concentrar seus investimentos no pré-sal e reduzir a dívida.
Já o setor de distribuição de combustíveis é dominado por algumas grandes empresas, mas o segmento de revenda (postos) é bastante pulverizado no país.
O presidente disse também que vai conversar com o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, sobre a operação dos Estados Unidos no Iraque que matou Suleimani para então opinar sobre o assunto.
EUA, DAVOS, ÍNDIA
Bolsonaro afirmou ainda na entrevista que vai em fevereiro aos Estados Unidos para visitar empresários que vão lhe apresentar uma possível solução energética para o Estado de Roraima, que não está conectado ao sistema elétrico nacional.
Ele disse que buscará solução para o abastecimento de energia de Roraima, que atualmente se vale principalmente de termelétricas enquanto aguarda a construção de uma linha de transmissão que deverá passar por reserva indígena.
O presidente disse também que neste mês está prevista sua ida ao Fórum Econômico Mundial de Davos e, posteriormente, uma viagem à Índia.
Ele destacou que a Índia é um país que tem um comércio enorme e está interessado em abrir mais portas para o Brasil.
Bolsonaro afirmou que está à disposição de conversar com o presidente da Argentina, Alberto Fernandez, com quem teve desentendimentos públicos desde a corrida eleitoral do país vizinho.
Ele destacou que há um bom comércio entre os dois países em várias áreas.
"Espero que as medidas que estão tomando lá de sobretaxar a exportação de grãos e o trigo também não valha para nós", ressalvou.
O presidente disse ainda que não está previsto um encontro entre ele e Alberto Fernandez, mas mostrou-se simpático à aproximação.
"Não está previsto, mas não me furtaria. Se quiser falar comigo, eu o receberia com todas as honras que um chefe de Estado merece", frisou.
Na saída da entrevista, Bolsonaro afirmou que iria visitar a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, que está no hospital após passar por um procedimento cirúrgico.
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