Mulher é presa por simular estar com coronavírus em UPA
A farsa gerou custos aos cofres públicos
Não foi só o coronavírus que Claudete Maria Rosa da Silva, de 39 anos, alegou ter durante atendimento na UPA de Copacabana. A mulher, presa em flagrante na noite desta sexta-feira, após simular estar com a doença, também disse aos profissionais da unidade que poderia estar com a gripe H1N1. Claudete foi levada para a 12ª DP (Copacabana) e transferida, neste sábado, para o Presídio José Frederico Marques, em Benfica.
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, Claudete deu entrada na UPA às 3h20m, queixando-se de falta de ar, febre, dor de cabeça e náusea. Ela estava acompanhada de uma amiga. A secretaria ressaltou, no entanto, que a paciente deu entrada na unidade sem febre e que havia apenas duas pessoas na frente dela.
No momento do atendimento, Claudete informou que tinha chegado domingo de Hong Kong, na China, e que seu voo tinha feito escala nos Estados Unidos. Por isso, recebeu, além de nebulização, dipirona e bromoprida, o medicamento Tamiflu para gripe H1N1. Ela chegou a fazer uma radiografia na UPA de Botafogo.
Como Claudete insistia na questão da viagem, a equipe da UPA decidiu deixá-la isolada. Às 5h, segundo a secretaria, a coordenação da UPA acionou a vigilância sanitária estadual, a municipal e o Ministério da Saúde. A secretária informou que foi colhido material para fazer o teste do coronavírus e foram preenchidos formulários enviados pelo Ministério da Saúde.
A farsa também gerou custos aos cofres públicos. A UPA fez uma compra emergencial de máscaras para toda a equipe que estava de plantão e para os profissionais que assumiriam o turno seguinte. A Secretaria de Saúde, no entanto, não revelou o valor gasto nem a quantidade de materiais adquirida.
Os profissionais começaram a desconfiar da versão de Claudete quando ela entrou em contradição. Primeiro, a mulher disse que tinha viajado com a patroa e seus três filhos, de quem era babá. Quando pediram o telefone da família, ela deu um número que ninguém atendia. Quando foi confrontada, Claudete fingiu que estava delirando e disse que não conseguia lembrar o número, informou a Secretaria de Saúde.
A equipe da unidade pediu o passaporte dela, mas ela mentiu dizendo que estava sem o documento. A Polícia Federal foi, então, acionada e confirmou que Claudete não tinha saído do país e que sequer tinha passaporte. A amiga que a acompanhava deu o telefone da família dela e, por volta das 13h, a mãe chegou na UPA e convenceu a filha a assumir que estava mentindo. Claudete chegou a dizer que morava em Copacabana, mas, na verdade, reside em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
A Polícia Civil foi acionada e Claudete foi presa em flagrante na própria UPA. Quando os agentes da 12ª DP chegaram, ela disse que não poderia ser presa porque estava com muita dor de cabeça. Medicada mais uma vez, a mulher seguiu para a delegacia, por volta das 17h30m.
Registros na ouvidoria da UPA
Segundo a Secretaria de Saúde, o atendimento na sexta-feira ficou abaixo da metade do esperado para o dia. Os pacientes se assustaram ao ver a equipe da UPA usando máscaras. Muitos recusaram a fazer o atendimento.
Alguns deles abriram registro na ouvidoria da Secretaria de Saúde do Estado reclamando de não serem avisados sobre a suspeita de um caso de coronavírus na unidade. A secretaria ressaltou que Claudete ficou isolada na área de trás da UPA e que o atendimento dos outros pacientes estava sendo feito pela frente.
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