Lixo em tubulação é principal causa de alagamentos em período de chuva
Descarte irregular de resíduos causa entupimento de galerias e prejudica no escoamento da água
Os problemas de alagamentos em Maceió poderiam ser evitados, na maioria dos casos, com uma prática simples, mas importante: o descarte correto de resíduos.
De acordo com a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminfra), descartar o lixo irregularmente provoca entupimentos de galerias e causa grande parte dos transtornos relacionados a drenagens no período de chuvas.
Seguindo um cronograma diário de serviços em diversas ruas da capital, as equipes de drenagem intensificam os trabalhos no inverno, período em que os alagamentos se tornam mais evidente e as solicitações da população aumentam.
E exemplos não faltam. Nesta sexta-feira (3), as equipes de drenagem da Seminfra finalizaram um serviço de desobstrução de galerias que durou 10 dias. A ação – que consistiu na investigação do problema e solução – foi realizada no Conjunto Rui Palmeira, localizado no bairro da Serraria. Por lá, alguns moradores precisaram se mudar da localidade, porque, quando chovia, a água entrava nos imóveis localizados no térreo.
De acordo com o coordenador de Drenagem da Seminfra, Esdras Maia Nobre, os alagamentos no conjunto foram causados por entupimento de uma tubulação de 10 metros que estava cheia de restos de materiais de construção.
“Foram dias investigando o problema na tubulação, que fica a cinco metros de profundidade. Todo escoamento da água do conjunto passa por uma grota existente na localidade. Por lá foram feitas algumas ocupações irregulares. Os resíduos foram todos para a tubulação. A gente tirou todo o resíduo, aumentou o tamanho do tubo e agora a drenagem voltou a funcionar normalmente”, explica.
De acordo com Maia Nobre, a Prefeitura tem realizado as desobstruções de galerias todos os dias, mas o problema irá continuar se não houver também o engajamento da população.
“A gente sempre bate nesta tecla. O órgão municipal tem responsabilidade de realizar manutenções, de deixar a cidade planejada para fazer o escoamento completo da água da chuva, promovendo maior qualidade de vida à população. Mas toda a ação realizada pela Seminfra é perdida, quando a gente precisa retornar ao local para, novamente, tirar grande quantidade de lixo que entupiu de novo a galeria”, expõe o coordenador.
Outro exemplo foi constatado na Avenida Sandoval Arrochelas, no bairro da Ponta Verde. Na localidade, as equipes encontraram, além de lixo, concreto decorrente da limpeza feita em caminhões betoneira, utilizado por edifícios.
“O concreto está sendo jogado na linha d´água e vai para a drenagem. O material se solidifica e obstrui a galeria. Por causa disso, às vezes a gente precisa até trocar a tubulação porque ela está fechada com concreto. A Prefeitura vai fiscalizar os prédios que estão realizando essa prática com caminhões betoneira”, disse.
Os resíduos descartados irregularmente – que vão desde plásticos, concretos, até restos de materiais de construções – vão direto para as bocas de lobos e caem nas tubulações, responsáveis por levar a água da chuva para o rio, ou para o mar.
Quando estes materiais caem na rede de águas pluviais, causam o entupimento das galerias e o escoamento fica prejudicado. Desta forma, a água, em vez de ser levada para o lugar correto, fica acumulada nas vias urbanas, causando transtornos a moradores, motoristas e pedestres.
Foi o que ocorreu também na Avenida Governador Afrânio Lajes, na Cabona, onde a rua ficou alagada após as chuvas. Ao realizar os trabalhos de desobstrução, as equipes da Seminfra retiraram grande quantidade de lixo da localidade. Após a limpeza, a drenagem voltou a funcionar normalmente.
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