Vilão: preço do arroz dispara no Brasil, mas em AL continua abaixo da média
Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), o produto comprado dos produtores pelas indústrias ficou 30% mais caro só em agosto.
Em meio a pandemia do novo coronavírus os consumidores brasileiros estão se deparando com aumento no preço de alguns alimentos básicos. Um dos vilões da semana é o arroz, que registrou aumento de mais de 70% segundo a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em Alagoas, os consumidores seguem comprando o produto pelo preço abaixo da média Nacional. No estado, o alimento de 1 kg pode ser encontrado por R$ 5,19, R$ 3,99, R$ 3,79, R$ 3,69.Já um pacote de cinco quilos, normalmente vendido a cerca de R$ 15, chega a custar R$ 40 na gôndola.
O levantamento feito pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, mostra que a alta do arroz chega a 100% em 12 meses. E não há alívio no bolso no horizonte. Produtores e especialistas dizem que os preços devem continuar subindo nos próximos meses.
Em um discurso feito pelo presidente Jair Bolsonaro na semana passada pediu "patriotismo" aos supermercados para segurar os preços de itens da cesta básica.
"Estou pedindo um sacrifício, patriotismo para os grandes donos de supermercados para manter na menor margem de lucro", disse.
Em resposta, a Apas (Associação Paulista de Supermercados), informou que os aumentos são "provenientes dos fornecedores de alimentos, que são provenientes de variáveis mercadológicas como maior exportação, câmbio e quebra de produção".
De acordo com o estudo , os supermercados são apenas a ponta da cadeia. O encarecimento do arroz vem das etapas anteriores. Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), o produto comprado dos produtores pelas indústrias ficou 30% mais caro só em agosto.
Assim como outros produtos da cesta básica, como óleo de soja e feijão, a alta do arroz está ligada à valorização do dólar, que torna as exportações mais lucrativas aos produtores.
As exportações de arroz beneficiado saltaram 260% entre março e julho deste ano, para 300 mil toneladas. Para piorar, também houve redução de 59% nas importações do produto no período, para 48,3 mil toneladas. O resultado da balança comercial levou a uma menor disponibilidade do arroz no mercado doméstico.O arroz brasileiro também passou a ser mais buscado no mercado internacional durante a pandemia.
A pandemia tirou o excedente de outros países produtores, como Índia, Tailândia e Vietnã, e houve um desabastecimento do mercado internacional. Esses países tiveram dificuldade ou pararam de vender seu produto no mercado externo, enquanto o Brasil exportou bastante entre maio e junho.Ivo Mello, diretor do Instituto Rio-grandense do Arroz (IRGA)
O arroz brasileiro também passou a entrar em novos mercados, como o mexicano, que vinha sendo prospectado há dois anos pelo setor. Responsável pela maior parte da produção brasileira de arroz, o Rio Grande do Sul plantou 930 mil hectares de arroz na safra de 2020, área 15% menor que na safra anterior.
E o preço deve continuar subindo e o clima deve se somar aos fatores que estão pressionando os preços do arroz nos supermercados. A oferta, demanda, clima, câmbio e entressafra: aquilo que é alta de preços no atacado, por causa desses fatores, em alguma medida começa a ser repassada para o consumidor. É o que vai ocorrer no segundo semestre de 2020. A expectativa é continuar aumentando.
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