Comércio, Serviços e Agropecuária encerram mais de 7 mil postos de trabalho em AL
Somando com a Indústria de Transformação, perda chega a mais de 27 mil vagas
A pandemia do novo coronavírus reduziu o número de estabelecimentos comerciais pelo globo. No Brasil, o cenário não teria como ser diferente. Os dados do Mapa de Empresas[1], do Governo Federal, apontam para uma triste situação: no segundo trimestre foram extintos 209.735 empreendimentos no Brasil. Em Alagoas, as informações apontam para o encerramento de 1.374 empresas.
O número é desalentador, mas ao se analisar o mesmo período, o saldo foi positivo tanto no país quanto no Estado: 665.866 empresas foram abertas no Brasil, representando um saldo positivo de mais de 456 mil; e, em Alagoas, o saldo também foi positivo, com 5.478 aberturas de empresas, a diferença positiva é de 4.104 empreendimentos. “Claro que a extinção de empresas é bastante danosa para a economia, pois traz o desemprego e a perda de renda dos empreendedores”, argumenta Felippe Rocha, assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Alagoas (Fecomércio AL).
Descontando-se a Indústria de Transformação, pois o primeiro semestre é sempre marcado pelo desemprego em massa neste setor devido à entressafra da cana de açúcar, foram perdidos 3.330 postos de trabalho no Comércio, 3.715 em Serviços, e 650 na Agropecuária, totalizando 7.026 vagas fechadas. A conta aumenta consideravelmente quando se soma a estas perdas os 20.488 postos de trabalho encerrados na Indústria de Transformação. Ou seja: no primeiro semestre Alagoas perdeu 27.514 vagas no mercado de trabalho nestes setores. Destaque apenas para a Construção Civil, que contratou 669 pessoas no mesmo período.
“Se de um lado a extinção e a morosidade da economia surtiram no problema do desemprego com prejuízo de 7.026 empregos extintos no semestre, descontando-se a Indústria; por outro, o Benefício Emergencial (BEm), vinculado à MP/936 que permitiu a suspensão e a redução da carga horária de trabalho, serviu para salvar empregos”, ressalta Felippe ao analisar os seguintes números: o estoque de empregos em 1º de janeiro deste ano, em Alagoas, era de 353.471 vagas e, em julho, passou a ser de 327.480. “Por meio do BEm foram realizados 161.363 acordos, seja de suspensão ou de redução da carga horária, o que representa 49,27% dos empregos alagoanos. Nesse contexto, o benefício ajudou a preservar quase a metade dos empregos existentes no Estado”, avalia.
O presidente da Fecomércio, Gilton Lima, acredita que os setores encontrarão alternativas para retomarem estes postos de trabalho. “Estamos num ano atípico. Ainda enfrentamos a pandemia do coronavírus e suas consequências na economia. Percebemos que este é um momento para as empresas se reinventarem e muitas estão conseguindo encontrar soluções para sobreviverem a esta realidade. O auxílio do governo trouxe ajuda nesse sentido”, diz Lima.
Na análise do assessor econômico da Fecomércio, os indicadores são bons, mas mostram uma triste realidade do nosso Estado: a pobreza e a falta de dinamismo econômico da região. Isto porque o valor distribuído na capital representa 2,81% do PIB e o número de beneficiados (325 mil) é 1,7 vezes superior ao número de empregados formais na capital (190 mil). Em relação ao estado de Alagoas, o volume do auxílio representa 4,41% do PIB e a quantidade de auxiliados é 3,66 vezes superior ao estoque de empregados formais na divulgação de julho. “O término do Auxílio Emergencial podem trazer profundas incertezas no consumo e no crescimento de Alagoas e do Brasil devido à ressaca provocada pela falta de renda. A sinalização do governo em aperfeiçoar o Programa Bolsa Família, ampliando o número de pessoas que poderão receber o benefício, será fator decisivo para o ano que vem”, pondera.
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