“Encontrei o meu amor que estava faltando”, diz mãe que abraçou o filho sumido após 27 anos
Reencontro de mãe e filho ocorreu no último domingo em Santa Rita, na Paraíba, de onde Carlos fugiu aos oito anos e veio parar no Ceará
A ansiedade do motorista Antônio Carlos Silva, que procurava sua família há 27 anos, finalmente teve fim no último domingo (6), quando ele se reencontrou com a mãe, irmãos e os outros familiares na Paraíba. Desde que se reconheceram, Carlos e a mãe, Joseane Maria, contavam os dias para o encontro.
“Eu sou a mulher mais feliz do mundo. Encontrei o meu amor que estava faltando”, disse Joseane. Seu filho havia sumido 27 anos atrás, e desde então viveu a angústia de procurá-lo, sem sucesso.
Quando decidiu aumentar as buscas pela mãe, no início de novembro, Carlos foi enganado por um suposto irmão, que disse ter reconhecido sua história por meio do panfleto “procuro minha mãe”, espalhado pelas cidades do Cariri.
O caso repercutiu nacionalmente, até que um tio verdadeiro, em Santarém (PA) reconheceu a história por meio da nossa reportagem e depois toda a família foi identificada como sendo de Santa Rita, na Paraíba. O município da Região Metropolitana de João Pessoa (PB) recebeu a visita de Carlos, esposa, filha e do pai adotivo.
Ao ser resgatado em Fortaleza, após desembarcar em Itapipoca, Carlos passou por vários abrigos de acolhimento de crianças e adolescentes, depois foi viver nas ruas em Fortaleza, até ser recebido pela Associação O Pequeno Nazareno, que acolhe menores em situação de abandono ou destituídas do poder familiar, por situações de extrema vulnerabilidade. Bernardo Rosemeyer, ex-frei alemão e fundador da Associação, decidiu, além de acolher, adotar o menino.
Buscas pela família
O pai adotivo fez as buscas pela mãe biológica no momento em que Carlos, hoje adulto e trabalhando de motorista na mesma associação que o acolheu, decidiu que não poderia mais esperar. “Em sonho, voltei muitas vezes para casa”, afirmou. E foi com apoio das memórias que ele decidiu refazer o caminho de volta. Lembrava do nome ou apelido da mãe, que seria Jeane, além do irmão Diego e de um tio Nino, que fazia brinquedos de barro e sucata para ele.
Com esses pequenos feixes de memória, Carlos teve apoio dos amigos para espalhar, no Cariri, panfletos de “Procuro minha mãe”, com foto atual e da infância. Ele pensava ser de Juazeiro do Norte ou cidade próxima.
E foi na vizinha Crato que, em início de novembro, um rapaz chamado Clécio viu o panfleto e disse reconhecer a história, que se trataria do seu irmão que fugiu de casa. Acreditando ter reencontrado a família, Carlos travou três diálogos com o suposto irmão por três dias.
Tratava-se de uma farsa, só descoberta após o segundo encontro presencial de um amigo de Carlos com o suposto irmão deste. A reviravolta no caso do menino que sonhava voltar para casa repercutiu nacionalmente, até que um tio verdadeiro, em Santarém, no Pará, reconheceu as fotos e procurou a nossa reportagem para dizer que se tratava do seu sobrinho.
A sua família seria de Santa Rita, município da Paraíba. E foi de lá que, após sucessivas conversas com familiares, e principalmente fotos de um álbum de família, tratava-se da mesma criança registrada após
o resgate em Fortaleza. Para evitar qualquer desconfiança, após o engano sofrido por Carlos, a família de Santa Rita, na Paraíba, propôs-se a fazer exame de DNA. O motorista, no entanto, disse não ter dúvida de que era a sua família verdadeira. No último domingo ele pode encontrar, além da mãe Joseane, Diego, Dielma e Crislene, a família biológica verdadeira.
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