Adotado por francesa, jovem alagoano que chegou a morar na rua conta sua história
Relato mostra construção da parentalidade na adoção de crianças e adolescentes
Aos 20 anos de idade, o maceioense Ricardo Marcos Lechable Espagne já morou na França e no Rio de Janeiro e atualmente reside em Barcelona, na Espanha, com a mãe francesa Camille Hélene Marie Espagne Lechable. Essas poucas informações dão a impressão que o jovem nasceu cercado de privilégios. Mas o palpite não poderia ser o mais errado.
Ricardo é um exemplo de que a adoção de crianças maiores e até de adolescentes não só é possível em termos legais como também na construção da parentalidade, com a criação e fortalecimento de laços afetivos entre pais e filhos. A história do jovem, que viveu até os dois anos de idade nas ruas de Maceió, é contada no Podcast TJAL, como parte do projeto "Adoções Possíveis", promovido pelo Tribunal de Justiça de Alagoas.
Camille Hélene adotou Ricardo quando ele estava prestes a completar 5 anos de idade e explicou a escolher adotar uma criança mais velha - em vez de um bebê, como é preferência da maioria das pessoas que dão entrada em processo de adoção - tem a vantagem de a criança expressar seu desejo em ser adotada ou não.
“Acredito muito que a idade do filho não deve ser uma barreira, porque com certa idade ele já vai saber e participar de tudo que está acontecendo", explica Camille Hélene. "O mais importante é o que vai passar nos corações", completou.
Quando mãe e filho se encontraram pela primeira vez, já fazia alguns anos que ele vivia em um abrigo em Maceió. Ricardo afirma que as experiências vividas por ele antes da adoção provocou dificuldades de adaptação. “Eu tive problema de comportamento na minha infância porque morei na rua, então foi um pouco difícil, mas depois fiquei com confiança. Nossa relação sempre foi ótima porque minha mãe sempre esteve aqui para me ajudar e me apoiar em tudo”, contou.

Medo e cumplicidade
A mãe conta que, a princípio, Ricardo aparentava medo de sair do abrigo onde convivia com outras crianças que também aguardavam a adoção. Mas aos poucos Camille Hélene foi conquistando a confiança de Ricardo, durante o período de convivência no Brasil, após se submeter as exigências legais. No total, o processo de adoção levou dois anos para ser concluído e, neste período, mãe e filho moraram um ano no Brasil e outro na França.
“Eu agradeço muito ter tido uma mãe como essa, a gente construiu uma caminhada juntos e hoje a única coisa é agradecer e ser feliz. O passado é passado e a gente tem que deixar sempre para trás. Agora, eu tenho mais confiança em mim”, declarou Ricardo, hoje com 20 anos.
Camille Hélene, como toda mãe orgulhosa, destacou que Ricardo não teve dificuldades para se adaptar à vida na Europa e que aprendeu a falar francês após quatro meses na escola.
“O importante é que ele está muito bem e temos uma grande cumplicidade”, disse.

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