Fiocruz alerta para variantes e novas transmissões de covid no Brasil
Segundo boletim, a circulação do vírus permanece alta mesmo com a redução de casos e mortes
Boletim da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), publicado na 5ª feira (5.ago.2021), indica que o surgimento de novas variantes do coronavírus, em especial a variante delta, é um alerta.
O estudo aponta que, mesmo com a redução do número de casos e de mortes por Covid-19, observados entre os dias 25 e 31 julho, a circulação do vírus permanece alta, algo que eleva o patamar de risco de transmissão. .
Segundo a fundação, o cenário ainda pode ser agravado por causa da maior transmissibilidade da variante delta. A cepa é considerada mais infecciosa e também pode ter maior potencial para causar reinfecções, em comparação com as outras.
“É fundamental combinar vacinação com o uso de máscaras, incluindo campanhas de informação para a população e busca ativa de quem ainda não se vacinou”, diz a Fiocruz. Nesta 6ª feira (6.ago.2021), por exemplo, a prefeitura do Rio de Janeiro confirmou que a primeira morte por Covid-19, causada pela mutação, ocorreu depois que uma pessoa se recusou a tomar a vacina.
A Fundação também chama atenção para o aumento dos casos de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) no Brasil. “A incidência da Síndrome Respiratória Aguda Grave ainda permanece em níveis altos, muito altos ou extremamente altos no país”, afirma o estudo.
Como a maior parte dos casos da doença está relacionada aos casos de Covid-19, os níveis da SRAG indicam que o coronavírus ainda apresenta uma transmissão significativa.
Outra análise feita pela boletim é que as mortes e as internações hospitalares em leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) voltaram a se concentrar em pessoas idosas. “Verificamos que nas últimas duas semanas epidemiológicas o processo de rejuvenescimento da pandemia no Brasil foi revertido […] Isto cria um alerta para observação cautelosa nas próximas semanas”, afirma a fundação.
No boletim referente aos dias 6 a 12 de junho, a taxa de casos de internação entre pessoas mais velhas era de 27,1%. O percentual aumentou para 37,5%. Já a proporção do número de mortes, que, na mesma semana era de 44,6%, agora está em 62,1%.
O documento também mostra uma redução importante da proporção de internações nas faixas etárias de 50 a 59 anos e uma diminuição discreta na faixa de 40 a 49 anos. No entanto, os cientistas alertam que “qualquer conclusão sobre a mudança apontada no perfil da pandemia no Brasil ainda é precoce e deve ser acompanhada de perto nas próximas semanas”.
Ocupação de leitos
De acordo com a fundação, as taxas de ocupação de leitos de UTI para tratamento da doença no SUS (Sistema Único de Saúde) seguem melhorando. O boletim aponta que 19 Estados registraram taxas de ocupação inferiores a 60% e, por isso, estão fora da zona de alerta.
Outros 6 estados e o Distrito Federal estão na zona de alerta intermediário, que tem taxas de ocupação iguais ou superiores a 60% e inferiores a 80%. Somente o Estado de Goiás está na zona de alerta crítico, com taxa superior a 80%.
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